Cerca de 3 mil estudantes de Curitiba terão a oferta dos anos finais do Ensino Fundamental reorganizada nos próximos quatro anos. A Prefeitura pretende transferir gradualmente para o Estado as turmas do 6º ao 9º ano que hoje funcionam em 11 escolas municipais. A primeira etapa está prevista para 2027 e gerou questionamentos na Câmara Municipal nesta quarta-feira (4).
O tema dividiu os líderes do Governo e da Oposição durante sessão na Câmara. A vereadora Camilla Gonda (PSB) criticou a falta de diálogo com as famílias e demonstrou preocupação com a adaptação dos estudantes e o futuro dos professores. Já o vereador Serginho do Posto (PSD), líder do Governo, defendeu a medida e afirmou que a transição está sendo planejada em conjunto com o Estado.
O que muda para os estudantes?
A reorganização não significa que todos os alunos terão de trocar de escola imediatamente. Quem estiver matriculado do 6º ao 8º ano em 2026 poderá continuar na unidade municipal até concluir o 9º ano.
A mudança começa pelos estudantes que terminarem o 5º ano em 2026. A partir de 2027, eles deverão seguir para escolas estadiaid próximas de casa. A escolha das unidades será feita com base no endereço de cada aluno, por meio de um sistema de georreferenciamento.
Segundo a Secretaria Municipal da Educação, as escolas estaduais indicadas às famílias devem ser divulgadas no dia 23 de novembro. A matrícula inicial pela internet está prevista para ocorrer entre 23 de novembro e 4 de dezembro. Casos que precisem de atenção especial serão avaliados individualmente com as famílias.
A Prefeitura também não descarta manter algumas turmas de 6º ano na rede municipal em 2027, caso seja necessário para atender situações específicas.
Prefeitura prevê mais vagas em tempo integral
A administração municipal afirma que a transferência dos anos finais permitirá ampliar a oferta de educação infantil, dos primeiros anos do Ensino Fundamental e de atividades em tempo integral nas escolas municipais.
A previsão é abrir mais de mil vagas em período integral, já em 2027, nas 11 unidades envolvidas na reorganização.
A mudança também terá impacto sobre os profissionais que trabalham com os anos finais. De acordo com a Prefeitura, a rede municipal conta com 258 professores de Docência II. Desse total, 49 poderão ser afetados pela reorganização no próximo ano.
A administração afirma que esses profissionais poderão ser direcionados a projetos educacionais ou optar pela Docência I, desde que sejam feitas alterações na legislação da carreira do magistério. Segundo o Município, os direitos funcionais serão preservados.
Oposição cobra diálogo com as famílias
Durante o debate na Câmara, Camilla Gonda afirmou que pais e responsáveis não tiveram participação suficiente antes do anúncio da mudança. Segundo a vereadora, cerca de 900 famílias se mobilizaram para pedir explicações sobre o futuro das escolas e dos estudantes.
A parlamentar chamou atenção principalmente para crianças atípicas, que, em alguns casos, precisam de mais tempo para se adaptar a uma nova escola, rotina e equipe pedagógica.
Camilla também destacou que algumas famílias escolheram as unidades municipais justamente porque elas oferecem continuidade dos estudos até o 9º ano. Para a vereadora, a mudança pode afetar a organização familiar e o vínculo dos estudantes com a comunidade escolar.
A parlamentar questionou ainda o futuro dos professores que prestaram concurso para atuar nos anos finais do Ensino Fundamental, defendendo que a Prefeitura mantenha essa etapa de ensino na rede municipal.
Governo diz que nenhum aluno ficará sem vaga
Em resposta às críticas, Serginho do Posto afirmou que a transição está sendo organizada pela Secretaria Municipal da Educação em conjunto com o Governo do Paraná e os núcleos regionais de educação.
O vereador explicou que, das 188 escolas municipais citadas por ele durante o pronunciamento, 177 já encaminham os estudantes para a rede estadual após o 5º ano. As outras 11 são as unidades que ainda mantêm turmas do 6º ao 9º ano.
Segundo Serginho, a organização das matrículas considera a distância entre a residência do estudante e a escola estadual indicada. Ele também garantiu que todos terão atendimento escolar assegurado durante a transição.
O líder do Governo relacionou a mudança ao plano de ampliar as vagas em tempo integral e melhorar a estrutura de apoio oferecida nas escolas municipais. Para ele, a parceria com o Estado permitirá receber os estudantes na rede estadual de forma planejada.
