Morreu, no início da tarde desta terça-feira (20), o vereador de Curitiba Jairo Marcelino (PSD), aos 77 anos. Ele estava internado na UTI do Hospital Vita Curitiba, no Bairro Alto, em Curitiba, com covid-19. Jairo Marcelino, que era o vereador mais longevo com 37 anos ininterruptos de mandato na Câmara Municipal de Curitiba (CMC), era candidato à reeleição no pleito de 2020. Jairo Marcelino deixa esposa, seis filhos, 13 netos e dois bisnetos.

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O político deu entrada no hospital no dia 26 de setembro, com quadro de gripe que evoluiu para uma pneumonia viral. Ele fez o uso do respirador, mas não resistiu ao avanço da covid-19 e suas complicações.

De acordo com o boletim médico divulgado pelo Hospital Vita, nesta terça-feira, Marcelino enfrentou um agravamento em seu quadro clínico nos últimos dias em que esteve internado, com piora da oxigenação sanguínea, queda da pressão arterial e sinais de comprometimento em vários órgãos.

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“(O vereador) não apresentou sinais de melhora, apesar das medidas terapêuticas empregadas, resultando em falência de múltiplos órgãos, o que levou ao óbito”, informa o boletim assinado pelo médico superintendente do Vita Curitiba, Osni Silvestri.

A despedida ao vereador será feita com uma cerimônia restrita a amigos próximos e autoridades, em uma missa marcada para as 10h desta quarta-feira (21), em frente ao Cemitério Municipal São Francisco de Paula, em Curitiba. Mas não haverá velório.

Luto oficial

Após a morte do vereador, o prefeito e atual candidato à reeleição em Curitiba, Rafael Greca (DEM), decretou luto oficial de três dias na capital e postou uma mensagem de pesar em suas redes sociais. “Luto oficial por três dias na cidade de Curitiba. Profundamente consternados, Margarita e eu nos unimos a dona Vilma Marcelino e familiares, ao presidente da Câmara Sabino Picolo, aos nossos vereadores e vereadoras, e à legião dos amigos e admiradores do vereador Jairo Marcelino, admirado companheiro na luta pelo bem de Curitiba”, disse Greca.

Luto oficial de três dias também foi decretado em todo o estado do Paraná pelo governador Ratinho Junior (PSD), que lamentou a morte do vereador. “A pandemia de covid-19 tem tirado muitas pessoas queridas das famílias paranaenses, a quem presto toda a minha solidariedade pelas irreparáveis perdas. Hoje o vereador curitibano Jairo Marcelino, nosso companheiro no campo político, não resistiu à doença. Minhas sinceras condolências à família e aos amigos. Que Deus o receba com bênçãos”, declarou o governador, em nota à imprensa.

Homenagens

Jairo Marcelino também foi homenageado pela Câmara Municipal de Curitiba, que fez uma longa publicação em seu site, destacando a história e as realizações do político, que era considerado uma testemunha do processo de redemocratização em Curitiba.

“Nascido no dia 17 de julho de 1943, Jairo Marcelino tinha 40 anos quando ingressou na CMC. Para quem começou a trabalhar aos 14, como cobrador de ônibus na linha Uberaba, e em 1962 passou a motorista de ônibus, já era uma pessoa vivida. Mas comporia, naquela distante nona legislatura, o bloco dos novatos que o início da redemocratização trazia para a vida pública. Décadas depois, era comum ouvir servidores e vereadores, durante o trabalho parlamentar, chamarem-no afetivamente de “professor””, diz trecho da publicação da CMC.

Trajetória politica

Líder da bancada do PSD na Câmara Municipal, Marcelino era vereador de Curitiba desde 1982 e tentava seu décimo mandato consecutivo nas eleições de 2020. O político também era um parlamentar constituinte, que participou da elaboração da Constituição em 1988 e de sua revisão.

Ex-comerciante e motorista profissional, o vereador construiu uma carreira político-partidária com atuação na defesa de segmentos organizados e categorias profissionais, como mostra seu perfil oficial na Câmara Municipal de Curitiba.

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São da autoria de Marcelino as leis municipais 6.805/1985, para instalação de postos de marcação de consultas em terminais; a 8.686/1995, que isenta do EstaR o taxista que estiver no interior do veículo; a  8.788/1995, que proíbe o uso do solo em faixas de segurança de transmissão de energia elétrica e alta tensão; a 9.232/1997, sobre a divulgação do serviço de táxi em hotéis; as 7.347/1989 e 7.559/1990, referentes ao transporte escolar; e a lei 15.009/2016, para ampliar os pontos de venda do cartão transporte.

Na Câmara, ele esteve no cargo de terceiro-secretário da Casa por duas vezes. E das nove vezes em que foi integrante da Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização, por quatro presidiu o grupo, a primeira delas em 1987. A mesma atribuição foi repetida por três vezes na Comissão de Serviço Público, a partir de 2008. Presidiu por uma vez as comissões de Constituição e Justiça e de Direitos Humanos, Defesa da Cidadania e Segurança Pública. Marcelino integrou ainda as comissões de Urbanismo, Obras Públicas e TI e de Educação, Cultura e Turismo por quatro vezes.