A forte chuva que atingiu Curitiba no último sábado (24) provocou transtornos em bairros da cidade. Campo Comprido, Cidade Industrial, Boqueirão e Juvevê foram atingidos, mas nada comparado ao que ocorreu no Alto da XV, onde a água alagou ruas, invadiu garagens e danificou carros. Moradores e comerciantes da região sofrem há 30 anos com o problema, que costuma trazer muitos prejuízos após cada temporal. Alagamentos e enchentes, que inclusive, entraram na pauta dos candidatos à prefeitura de Curitiba.

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Segundo a estação pluviométrica do Centro Nacional de Monitoramento de Alertas e Desastres Naturais (Cemaden) foi registrada uma chuva equivalente a 34,8 milímetros em Curitiba, no último sábado. Apesar deste volume de água, os moradores do Alto da XV imaginavam que as obras de macrodrenagem no cruzamento da Rua Dias da Rocha Filho com a Avenida Padre Germano Mayer, que começaram em junho deste ano, fossem dar conta. Mas não foi isto o que aconteceu nas ruas Herval, Schiller e Fernando Amaro, que foram completamente inundadas.

Luciano França, síndico do condomínio Jardim Costa Esmeralda, localizado na Rua Schiller passou por momentos de tensão ao receber um telefonema na tarde de sábado. Na ligação, ele era informado de que a chuva estava forte e que a água estava entrando nas garagens do edifício.

“Foi um caos total. Eu estava em Matinhos, no litoral do Paraná, e uma moradora avisou da chuva. Olhei nas câmeras e verifiquei que o volume estava alto e pedi para que ela avisasse as pessoas do bloco, para que retirassem os carros. Peguei meu veículo e retornei para Curitiba e quando cheguei, vi a garagem praticamente inundada. Se não tivessem as nossas garagens, que são abaixo do nível da rua, as casas ao redor sofreriam ainda mais.  As garagens captam parte da água como uma espécie de bacia de contenção”, disse Luciano, que com a ajuda dos vizinhos, salvou todos os carro do condomínio.

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Mas após a chuva, o síndico teve que contratar empresas para lavar as garagens e limpar a lama que foi levada pelo rio. “Foram 30 horas para esgotar a água, com um prejuízo de R$ 3,6 mil. Na praça, que fica em frente, tem buracos que podem provocar acidentes e até uma criança pode ser engolida pelo buraco. Infelizmente, quiseram arrumar com a obra e piorou para o nosso lado. Não adiantar consertar perto do shopping e piorar nas outras ruas”, desabafou o Luciano.

Outro condomínio que sofreu com a chuva foi o Pablo Picasso, localizado na Rua Fernando Amaro. Segundo a síndica Rejane Leão Picheth, a garagem ficou completamente coberta e três carros foram atingidos. “Infelizmente, isto já ocorre há mais de 30 anos e vivemos com este problema. Não consegui ainda calcular os prejuízos, pois vai ser preciso arrumar o motor do portão e estou no aguardo dos orçamentos. Tivemos ainda os carros que foram cobertos pela água. Tenho que reforçar, que tivemos ajuda da Defesa Civil e da Sanepar, que cortou a região do rodízio de abastecimento”, comentou a síndica.

E aí, prefeitura?

A Secretaria Municipal de Obras Públicas de Curitiba reconhece que o problema no local é crônico e espera que a conclusão da obra corrija o problema no Alto da XV. Rodrigo Rodrigues, secretário da pasta, atendeu na manhã desta terça-feira (27), alguns moradores do bairro e repassou alguns detalhes provenientes da obra.

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“Estamos fazendo três bacias de contenção que irão servir como um reservatório. Quando cair uma grande chuva, as galerias irão suportar o volume para que não aconteçam alagamentos. Estamos aguardando peças para a galeria, que precisam ser fabricadas, pois são sob medida. Assim que o número suficiente venha a ser produzido, as escavações começam nas ruas Camões, Herval e Fernando Amaro. A obra está nesta etapa e peço a colaboração da população”, relatou o secretário que confirmou que a previsão de conclusão da obra é para março de 2021 com estimativa de custo de R$ 9 milhões financiados pelo Fundo Nacional de Infraestrutura e Saneamento (Finisa) e complementado pelo Tesouro Municipal.