Negócios

Como uma gestora paranaense quer chegar a R$ 1 bilhão em 12 meses

Trio Gestora
Fabio Fabro e Gabriel Timm, da Trio Gestora. Foto: Divulgação / Trio Gestora

Uma gestora de recursos criada dentro de uma empresa de tecnologia paranaense quer dobrar de tamanho em apenas 12 meses. A Trio Gestora, braço do ecossistema financeiro da Trio, já tem R$ 500 milhões em recursos sob gestão e estabeleceu como próxima meta chegar a R$ 1 bilhão.

O plano ganhou força após a empresa obter, em agosto, autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para atuar como gestora de recursos. A nova operação amplia o negócio criado em Curitiba, que começou com tecnologia para pagamentos e hoje busca oferecer uma jornada financeira mais completa para empresas de médio porte.

A estratégia combina duas frentes. A primeira é a gestão de produtos de crédito, principalmente fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), que podem financiar empresas que utilizam a estrutura financeira da Trio. A segunda é a consultoria de investimentos voltada aos sócios e às famílias por trás dessas companhias.

“Hoje já temos R$ 500 milhões. Para chegar a R$ 1 bilhão em 12 meses, vamos ampliar o número de clientes, investir em parcerias comerciais, criar novos fundos de crédito e também crescer na gestão de investimentos de novos clientes de alta renda”, explica Fábio Fabro, diretor de Gestão, Distribuição e Suitability da Trio Gestora.

Do CNPJ ao CPF

A criação da gestora acompanha uma mudança no perfil das necessidades financeiras das empresas. A Trio nasceu oferecendo infraestrutura para pagamentos, cobranças e movimentações financeiras, mas passou a identificar outras demandas conforme os clientes cresciam. São clientes que foram mostrando a necessidade de produtos e serviços como antecipação de recebíveis, capital de giro, crédito e assessoria para investimentos.

É nesse ponto que entra a gestora. “A ideia é atender a pessoa jurídica com gestão bancária, pagamentos, cobranças e crédito e conectar isso com o dinheiro da pessoa física, com o patrimônio desse sócio”, afirma Fabro.

A segunda frente funciona em um modelo semelhante ao de um multi-family office, com orientação para a alocação dos recursos dos empresários e das famílias. A estratégia considera o perfil de risco, objetivos e necessidades de cada cliente, independentemente da instituição financeira onde o patrimônio está depositado.

Crédito para empresas e fintechs

No lado empresarial, a Trio Gestora pretende aproveitar a estrutura tecnológica e o relacionamento já construído pela Trio para ampliar a oferta de crédito. A gestora já atua na administração de fundos e poderá também estruturar veículos para fintechs que possuem tecnologia e capacidade de originação de crédito, mas precisam de uma estrutura regulada para transformar essas operações em produtos financeiros.

Trio Gestora mira o mercado médio

O público escolhido pela companhia não é por acaso. A Trio concentra a atuação em empresas que faturam a partir de aproximadamente R$ 10 milhões por ano e têm pelo menos 15 funcionários, ou seja, o “middle market” (mercado médio, em tradução). Não são empresas pequenas, mas também não são gigantes.

Segundo Fabro, esse mercado ainda convive com sistemas financeiros fragmentados. Uma empresa pode usar um banco para cobrança, outro sistema para ERP, uma ferramenta para emissão de notas e um cartão separado para despesas corporativas. O resultado é mais trabalho manual para conciliar informações e controlar o caixa.

A proposta do negócio é reunir essas funções em uma mesma estrutura, conectando conta, pagamentos, cobranças, cartões, conciliação e integração por tecnologia.

“Quando as empresas vão crescendo, elas começam a buscar automatizações. O grande grupo empresarial já conseguiu fazer isso. O médio ainda não tem essa estrutura disponível de forma tão acessível”, afirma.

A história começou com tecnologia em Curitiba

A Trio foi criada em 2020 por Peterson Ferreira dos Santos e Manoel de Oliveira Souza, desenvolvedores de software que já tinham trajetória no setor de tecnologia. Eles foram fundadores da Ateliware, fábrica de software que continua em atividade em Curitiba, e também participaram da criação da Pipefy.

A aposta da Trio foi construída em torno da expansão do Pix no Brasil. A empresa desenvolveu tecnologia própria e obteve autorização do Banco Central para atuar como instituição de pagamento, tornando-se participante direta do sistema.

Fabro e Gabriel Timm chegaram posteriormente para estruturar a frente de investimentos. Fabro vinha do mercado de crédito e havia fundado um escritório da XP em Curitiba. Timm já tinha experiência na administração de patrimônio de famílias de alta renda em Nova York.

A gestora começou a ser montada em 2025, inicialmente com a frente de assessoria e consultoria de investimentos. A autorização da CVM para atuar diretamente na gestão de fundos veio em 17 de agosto deste ano.

Agora, o desafio é transformar os R$ 500 milhões já administrados em R$ 1 bilhão. Para isso, a Trio aposta na combinação que marcou sua origem: tecnologia para simplificar operações financeiras e conhecimento do mercado para direcionar o dinheiro que circula por elas.

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