O chá de bebê dos gêmeos Azaphi e Ana Vitória, que nasceram 123 dias após a morte cerebral da mãe, Frankielen da Silva Zampoli, 21 anos, mantida viva por aparelhos após um AVC para que a gestão continuasse, será aberto ao público. Os bebês nasceram na última segunda-feira (20), no Hospital do Rocio, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. Já o evento vai acontecer no Clube Serrinhense, em Contenda, no dia 5 de março, às 15h.

Segundo o pai das crianças, o cerealista Muriel Padilha, inicialmente a cerimônia seria restrita à família, mas a grande quantidade de manifestações de solidariedade e apoio recebidos desde o nascimento das crianças, fez com que os familiares mudassem de ideia. Para ele, o evento vai ser uma oportunidade para agradecer às manifestações de apoio. “A gente não vence atender o povo. Gente do Brasil todo já me mandou mensagem, dando um apoio, não só bens materiais, mas orações, força. Às vezes a gente está abatido, mas recebe uma palavra de consolo que acaba ajudando muito”, diz.

Muriel diz que a família tem poucas condições financeiras, por isso o apoio material também tem sido fundamental. Segundo ele, as doações recebidas já suprem as necessidades dos primeiros anos das crianças. “Carrinho, berço, bebê conforto, roupa, fralda, isso tudo eles já ganharam muito”, relata.

Para as pessoas que ainda têm interesse em ajudar, Muriel diz estar pensando no futuro das crianças. Por isso, ajuda com creche, plano de saúde e escola para as crianças são as necessidades da família neste momento.

Azaphi e Ana Vitória permanecem internados no Hospital do Rocio, onde nasceram prematuros. Eles vieram ao mundo saudáveis, mas devem ficar sob cuidados médicos por tempo indeterminado, até terem condições de ir para a casa. Quando receberem alta, as crianças serão levadas para a casa do pai, em Contenda, também na RMC. Os avós devem ajudar a cuidar das crianças.

Relembre o caso

Frankielen da Silva Zampoli, de 21 anos, teve morte cerebral em outubro de 2016, mas estava grávida de dois bebês que foram mantidos vivos, dentro de seu útero, por 123 dias, até que tivessem condições de vir ao mundo.

Frankielen chegou ao hospital com uma hemorragia grave no cérebro. Três dias depois, os médicos constataram a morte cerebral. Sua gestação, contudo, estava apenas no segundo mês. A equipe médica, então, manteve o corpo da mãe funcionando para que os dois bebês pudessem se desenvolver.