Depois da falta do álcool gel, agora é o gás que está desaparecendo em Curitiba e região metropolitana com a pandemia do novo coronavírus. Em muitas distribuidoras, o produto sumiu e quando chega nas distribuidoras não dura mais do que uma hora. Segundo o Sindicato dos Revendedores das Distribuidoras de Gás do Paraná (Sinregas), a enorme procura na semana passada causou o sumiço do botijão de 13 quilos, que é o mais utilizado em fogões residenciais.

LEIA TAMBÉM Produtores e feirantes entregam alimentos pelo WhatsApp na quarentena em Curitiba

A compra desenfreada por algumas pessoas nos últimos dias fez com que o produto desaparecesse das lojas causando preocupação. Na hora de ligar o fogão para fazer a comida para a família que está mais tempo reunida, o receio de ficar sem o gás é enorme. Marina do Nascimento Oliveira, 63 anos, é aposentada e mora com mais 3 pessoas (esposo, filho e neta). Está com um botijão cheio, mas tem receio de que possa faltar nos próximos dias. “ Tenho muito medo, pois usamos para alimentar a família. Desde o começo do dia, o fogão está ligado e o gás sendo consumido. Não pode faltar, especialmente neste período em que não estamos saindo de casa ”, explicou a aposentada.

Lincoln Belo é responsável por uma distribuidora de gás no bairro Xaxim. Ele atende a clientela 24 horas por dia e está no ramo há mais de 10 anos. Segundo ele, a culpa da falta de gás foi das pessoas que acabaram comprando sem necessidade na semana passada. “ Muita gente se desesperou e comprou mais do que devia. Eu tento controlar na compra, mas nem sempre dá. Reservo para alguns clientes fiéis, mas não dá para todos”, ressaltou o proprietário da Belo Gás.

Com o desaparecimento do gás, a compra por parte dos distribuidores também está sendo alterada. Antes da pandemia do coronavírus, as lojas compravam quantos botijões quisessem, mas agora existe até uma redução. “Eu comprei 55 botijões e não vai durar nem uma hora. A previsão que eu consiga vender nesta quinta-feira (26) com um carregamento que vai chegar no fim desta manhã”, comentou Lincoln.

No outro extremo da cidade, no Bairro Alto, o problema persiste. O botijão de 13 quilos não é encontrado nas distribuidoras e sem previsão de chegada nas mãos dos clientes. Ezequias dos Santos, do Zico Gás, tem somente o cilindro de 45 quilos. “ Não tem gás e até evito de atender o telefone. Quando chega aqui, são poucas unidades. Tenho a esperança que o gás venha mais tarde”, disse Ezequias.

E aí, o que tá acontecendo?

Segundo o Sindicato dos Revendedores das Distribuidoras de Gás do Paraná (Sinregas), a enorme procura na semana passada causou o sumiço do botijão. José Luís Rocha, presidente do Sindicato, afirmou em entrevista à RPC, que não existe a necessidade de correria até as distribuidoras. “ Um botijão de 13 quilos dura em média 42 dias para uma família de 4 pessoas. Você que compra mais, pode estar tirando de outra pessoa”, alertou.  

A reportagem da Tribuna do Paraná procurou também a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis ( ANP). Em nota, a ANP informou que o abastecimento está normal em todo país e que monitora o mercado. O órgão comunica ainda que a possível falta de botijões em algumas revendas são pontuais.

Preços abusivos

Outro alerta que o Sinregas faz é quando aos preços cobrados para o consumidor. O preço médio nacional está em R$ 70. Caso encontre valores acima e que ultrapasse R$ 100 , a pessoa deve denunciar ao Procon-PR por prática abusiva. O telefone é o 0800 411512.

A granel

No caso da venda de gás a granel, não deve haver problema de fornecimento, já que grande parte dos restaurantes não estão funcionando por causa do isolamento social. Desta forma, não está havendo problema no fornecimento para condomínios, por exemplo.

“O que tem acontecido é que vários clientes não estão com as portas abertas, ocasionando a redução do consumo. Em relação aos condomínios, o que a gente vê é que teve um aumento de consumo porque as pessoas estão mais em casa, cozinhando”, explica Wolneu Pereira, diretor da Gaslog, distribuidora de gás a granel no Paraná e Santa Catarina.