A prefeitura de Curitiba divulgou, no último final da semana, os resultados do Levantamento Rápido de Índice para Aedes aegypti (LIRAa), feito no fim de maio pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Depois de visitar 26.544 imóveis em um período de 18 dias, os agentes encontraram apenas seis focos do mosquito transmissor de dengue, zika e chikungunya. Eles estavam nas regionais Boa Vista e Boqueirão, que, conforme a SMS, historicamente concentram os criadouros do vetor.

“Essas duas regionais têm algumas características que influenciam os números. Uma delas é o perfil dos estabelecimentos comerciais, outra são as características da população”, explica a coordenadora do Programa Municipal de Controle do Aedes aegypti, Tatiana Faraco. Conforme ela, em ambas as regionais há muitos comércios de peças usadas e ferros-velhos, cujos produtos têm grande potencial para o desenvolvimento de focos se a vigilância não for constante.

Tatiana diz ainda que, como não é de hoje que estas regionais concentram os focos do mosquito, os trabalhos de monitoramento e controle do vetor são intensificados nelas. “Trabalhamos intensamente esse ano com recolhimento de resíduos, de entulho que as pessoas acumulam no fundo de quintal. Isso tem um efeito muito positivo, pois os entulhos podem se tornar criadouros”, conta.

Outros casos

De acordo com a coordenadora do Programa Municipal de Controle do Aedes aegypti, as regionais do Cajuru e do CIC e o bairro Parolin também têm grande quantidade de focos do mosquito. A edição mais recente do Boletim Epidemiológico da Dengue, Chikungunya e Zika 2017 da SMS, publicado em 22 de junho, mostra ainda que a regional do Tatuquara também está entre as que concentram os focos do Aedes.

Conforme o documento, já foram encontrados neste ano 35 focos de Aedes aegypti na regional Boa Vista, 11 na do Cajuru e do Tatuquara, nove na do Boqueirão e oito na do CIC. O bairro Parolin fica na regional Matriz, que até agora teve apenas dois focos registrados pela SMS. Contudo, a preocupação vem do que foi registrado em anos anteriores.

“Trabalhamos bastante no Parolin porque ali tem bastante recicladores”, diz Tatiana. Assim como no caso dos ferros-velhos, o trabalho com reciclagem envolve o acúmulo de itens que, sem o devido cuidado, têm grande potencial para o acúmulo de água e o desenvolvimento das larvas do Aedes.

0% de infestação

O índice de infestação de Aedes aegypti em Curitiba em junho, conforme o LIRAa, é de 0%. Esse valor é calculado dividindo o número de focos encontrados durante o levantamento pelo número de imóveis visitados. De acordo com o Ministério da Saúde, o índice deve ficar abaixo de 1%. Um novo levantamento será feito no segundo semestre, entre os meses de outubro e novembro.

Conforme a coordenadora do Programa Municipal de Controle do Aedes aegypti, Tatiana Faraco, o número de focos e casos do mosquito da dengue em 2017 tem sido menor do que em 2016. Ela acredita que isso se deve a um maior rigor no controle ano passado. “É uma tendência nacional de diminuição dos focos da doença, mas é importante não descuidar”, explica.

Por isso, ela convoca a população a cuidar de seus ambientes familiares e de trabalho para remover ou evitar possíveis criadouros.