“O extermínio total é o recomendado, mas isso nunca vai acontecer”. É o que informa o biólogo Itiberê Piaia Bernardi, doutor e mestre em Ecologia e Conservação e professor do curso de Ciências Biológicas da PUCPR. Ele fala sobre o vídeo feito à noite na Praça Osório, no centro de Curitiba, que flagrou um número grande de ratos saindo de um bueiro, e que viralizou nas redes sociais.

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As imagens assustam, mas infelizmente, informa Bernardi, em grandes centros urbanos, são parte da rotina.

A circulação das imagens levou a secretária municipal de Meio Ambiente, Marilza Dias, a anunciar medidas a serem tomadas pela prefeitura. Em vídeo feito no mesmo local onde os roedores foram flagrados, ela informou que serão instaladas grades nos bueiros para impedir a saída dos ratos, e que as ações de limpeza serão reforçadas.

A Praça Osório já recebe aplicação de raticida a cada dez dias, informa a secretária, além de passa por lavagens periódicas e serviços de limpeza e manutenção, e contar como trabalho de varrição feito pelos garis diariamente, por 24 horas.

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“Mas esse é um trabalho que também depende da colaboração de todos”, pede Marilza. “Quando lixos e restos de alimentos são deixados na praça, eles acabam atraindo pragas urbanas como os ratos. Por isso peço a ajuda da população para manter a praça limpa”.

A Praça Osório é cercada de bares, lanchonetes e restaurantes, e conta com a tradicional Feira de Inverno, que neste ano teve início no dia 11 e se encerra em 18 de julho. Eventos gastronômicos e feirinhas de artesanato realizados no local podem também contribuir para a geração de resíduos orgânicos que atraem os roedores.

A tradicional Feira Especial de Inverno da Praça Osório. Foto: Ricardo Marajó
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“Todos os grandes centros vivem essa situação pela disponibilidade de comida”, retoma Itiberê. “E onde tem muita gente, tem muita comida”. A cena que o vídeo apresenta, sinaliza o biólogo, assusta mas infelizmente é normal, sobretudo à noite e de madrugada. De hábito noturno, os ratos se sentem livres para circular quando o movimento de pessoas em uma determinada região é menor.

Os ratos podem transmitir até 35 doenças aos homens e aos animais domésticos. As mais comuns são leptospirose, peste bubônica, tifo, salmonelose e hantavirose.

O aumento da população em situação de rua, um problema social observado nos principais centros urbanos do país – segundo o Cadastro Único, Curitiba tem hoje mais de 4,5 mil pessoas morando nas ruas da cidade – se torna um outro fator de ampliação. Embalagens e restos de alimentos deixados em calçadas se tornam um atrativo para os roedores.

Outra preocupação do professor é com a chegada das chuvas fortes que podem atingir a cidade trazidas pelo fenômeno El Niño. Ao invadir esgotos e se misturam à urina dos ratos, as águas das inundações se transformam em um vetor de transmissão da leptospirose. Segundo a Fiocruz, a bactéria Leptospira sobrevive por longos períodos na água suja e penetra no corpo humano através da pele, mesmo sem cortes.

Imagem dos ratos em bueiro na Praça Osório. Foto: Reprodução/Facebook

Poder de reprodução

Ratazanas, ratos comuns e camundongos são as três espécies que habitam as cidades. Nativas da Ásia, chegaram ao Brasil no século 16, no período das navegações. E se adaptaram rapidamente aos centros urbanos, assim com em todo o mundo.

O que se torna um problema, somado seu poder de reprodução, que acontece o ano todo. “Eles vivem no máximo dois anos, mas uma fêmea com menos de 60 dias já está pronta a reproduzir de 12 a 15 filhotes por ninhada”, conta o biólogo. E ela vai gerar de seis a 12 ninhadas por ano. “Eles são um sucesso evolutivo”. O professor desconhece algum exemplo no Brasil ou no mundo que tenha eliminado definitivamente os ratos em uma grande cidade.

Se solução definitiva não existe, a melhor maneira de manejar essa praga urbana é o controle efetivo, orienta o especialista. A intensificação da limpeza urbana é um caminho para manter o controle da população de roedores. “É importante testar métodos mais efetivos, periodicidades mais efetivas, conhecer a biologia dos bichos”, afirma.

Bares e restaurantes

Em nota, a Abrabar (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) em Curitiba informa que está orientando bares, restaurantes, cafés, lanchonetes, casas noturnas, feirantes, expositores e demais empreendedores do entorno da Praça Osório a reforçar os cuidados com a separação, acondicionamento e destinação correta dos resíduos recicláveis e orgânicos.

“O descarte inadequado de lixo e restos de alimentos contribui para a proliferação de ratos, baratas, pombos e outros vetores, além de prejudicar a limpeza urbana, a saúde pública e a imagem de um dos espaços mais importantes de Curitiba”, avisa a publicação.

“A entidade também reconhece que a questão envolve desafios sociais que exigem atenção e políticas públicas adequadas, especialmente em relação às pessoas em situação de vulnerabilidade. Entretanto, é fundamental que haja um esforço conjunto para evitar o espalhamento de resíduos e garantir a conservação dos espaços públicos”, acrescenta o documento.