Os golpes digitais já superam os furtos e se tornaram o crime mais registrado em Curitiba neste início de 2026. Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp-PR), atualizados até março, mostram que os casos de estelionato ultrapassaram os registros de furto na capital.
Foram 12,5 mil ocorrências de estelionato nos três primeiros meses do ano, contra 12 mil furtos. A diferença é de 486 casos e indica uma mudança no perfil da criminalidade urbana da cidade.
Centro lidera ocorrências
O Centro de Curitiba concentra o maior número de vítimas, com 966 casos de estelionato no período. Na sequência aparecem:
- Cidade Industrial de Curitiba: 816
- Boqueirão: 547
- Sítio Cercado: 536
- Cajuru: 465
- Água Verde: 445
- Uberaba: 368
- Portão: 347
- Pinheirinho: 319
- Tatuquara: 236
A distribuição dos registros mostra que os golpes não estão restritos à região central. Bairros populosos e residenciais também aparecem entre os que mais registraram ocorrências, indicando que esse tipo de crime se espalhou por diferentes áreas da capital.
Segundo o delegado da Polícia Civil do Paraná (PCPR) Emmanoel David, a liderança do Centro está ligada à intensa circulação de pessoas e atividades econômicas. “Isso gera maior volume de transações econômicas e, consequentemente, maior incidência de fraudes”, afirma.
Crime acompanha digitalização
Para a Polícia Civil do Paraná (PCPR), o aumento dos estelionatos está diretamente relacionado à digitalização das relações financeiras e comerciais. Segundo o delegado Emmanoel David, operações bancárias, compras, investimentos e a comunicação cotidiana passaram a ocorrer pela internet, o que abriu novas oportunidades para criminosos.
De acordo com ele, a possibilidade de atuação à distância e a capacidade de atingir múltiplas vítimas ao mesmo tempo também explicam o avanço desse tipo de crime.
O professor de Criminologia da Universidade Positivo (UP) Flavio Bortolozzi Junior avalia que o crescimento dos estelionatos acompanha uma mudança estrutural na criminalidade.
Segundo ele, enquanto crimes tradicionais, como furtos e roubos, tendem a cair ou se estabilizar, os delitos digitais ganham espaço com a popularização dos serviços online. “O comércio eletrônico e os serviços digitais passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas. Isso faz com que haja um deslocamento das práticas criminosas para esse ambiente”, afirma.
Para o pesquisador, a escala dos golpes é um dos fatores que explicam o crescimento nas estatísticas. “Um mesmo golpe pode ser aplicado em centenas de pessoas ao mesmo tempo. Um furto ou roubo não tem essa capacidade de expansão”, destaca.
Ele também chama atenção para a chamada “cifra oculta” da criminalidade, quando vítimas não registram ocorrência por acreditarem que o prejuízo não será recuperado ou que o autor não será identificado.
Quais são os golpes mais comuns
Entre os golpes mais investigados pela Polícia Civil estão fraudes envolvendo Pix, falsas centrais bancárias, promessas de investimento, clonagem de WhatsApp e anúncios falsos de veículos, imóveis e produtos.
Também são frequentes os golpes do falso advogado, falso empréstimo e fraudes praticadas em relacionamentos virtuais. Segundo a corporação, os criminosos exploram situações de urgência, medo ou confiança para induzir as vítimas a transferências bancárias ou ao fornecimento de dados pessoais.
A polícia reforça que a maioria das fraudes envolve técnicas de engenharia social, nas quais o criminoso manipula a vítima para obter dinheiro ou informações sensíveis.
Crimes patrimoniais ainda predominam
Apesar do avanço dos estelionatos, os crimes patrimoniais seguem como a principal categoria em Curitiba. Dos 39,9 mil crimes registrados no período analisado, 27,5 mil foram classificados como crimes contra o patrimônio, incluindo furtos, roubos e estelionatos.
Os furtos ainda apresentam volume elevado, com o Centro liderando também esse tipo de ocorrência (1,6 mil registros), seguido por:
- Água Verde: 566
- Portão: 337
- Boqueirão: 331
- Cidade Industrial de Curitiba: 330
Os dados mostram ainda que a maior parte das ocorrências acontece durante o horário comercial. A tarde concentra 14,3 mil registros, seguida pela manhã, com 10,6 mil. Os horários com mais registros são 10h, meio-dia e 14h.
Entre os dias da semana, a sexta-feira lidera as estatísticas, com 6,4 mil ocorrências.
Como evitar cair em golpes
A Polícia Civil do Paraná orienta a população a desconfiar de contatos que criem urgência, evitar compartilhar senhas e códigos de autenticação e confirmar informações apenas por canais oficiais antes de qualquer transferência.
Também é recomendado desconfiar de promessas de lucro fácil, verificar a autenticidade de anúncios e ativar ferramentas de segurança, como autenticação em dois fatores. “A prevenção continua sendo a ferramenta mais eficaz no combate ao estelionato”, reforça o delegado Emmanoel David.



