Em depoimento na manhã desta quarta-feira (15) à Comissão Processante da Câmara Municipal de Curitiba, o vereador Lórens Nogueira (PP) reafirmou que o dinheiro que aparece recebendo em vídeo feito com autorização da Justiça era a devolução de um empréstimo feito à servidora que apresentou a denúncia ao Ministério Público do Paraná (MPPR).

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O depoimento durou cerca de 1h30. Questionado sobre o motivo da devolução do suposto empréstimo ser feito em espécie, o vereador informou que a servidora teria a conta bancária bloqueada devido a ações judiciais, e que costumava transferir o salário integral para a conta do filho. E assim, para fazer o pagamento do empréstimo, teria feito saque no valor a ser devolvido. Quando perguntado sobre ter algum tipo de recibo ou contrato que prove a realização do empréstimo, afirmou ter apenas a própria palavra e a da funcionária do gabinete.

Ainda segundo o vereador, o dinheiro emprestado é parte dos bens obtidos por ele desde 2016 quando passou a atuar como assessor parlamentar, e que sempre foi bem remunerado. Ainda de acordo com Lórens, era uma opção dele manter dinheiro em espécie em casa.

“Sinceramente, não sei dizer ao senhor”, respondeu ao ser perguntado sobre os motivos que teriam levado a servidora a fazer a denúncia. “Essa é a pergunta que me faço todos os dias”, disse.

Trabalho voluntário

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Lórens é fundador do Instituto Grupo Solidário, com forte atuação no bairro do Xaxim, em Curitiba. Ele negou que os servidores do seu gabinete sejam obrigados a trabalhar no instituto, mas que alguns dos seus funcionários na Câmara são voluntários no grupo. Ele afirmou desconhecer que alguns desses servidores façam doações em dinheiro ao instituto, mas que podem ter feito compras nas atividades da instituição, que realiza bazares, festas e atividades voltadas ao empreendedorismo feminino. “Então pode ser que alguns façam alguma compra, por livre e espontânea vontade”.

Próximos passos

Com o depoimento, a Comissão Processante conclui a fase de instrução (reunião de provas e depoimentos) do Processo Ético-Disciplinar (PED 2/2026). A partir de agora, a defesa tem cinco dias para apresentar as razões finais, onde pretende anexar declarações de Imposto de Renda do vereador.

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Não há prazo definido para que o relator e a Comissão apresentem o parecer final, mas é preciso que aconteça dentro dos 90 dias estabelecidos para a conclusão do processo, a partir do momento em que o vereador foi notificado. O prazo se encerra no início de setembro, já que Lórens foi notificado em 10 de junho.

No parecer, o relator pode entender que há fundamento na denúncia, e então seguir com indicação de punição, ou avaliar que não há sustentação suficiente e recomendar o arquivamento do processo. O parecer é discutido e votado pelos três integrantes da Comissão Processante. Em caso de decisão pelo arquivamento, o processo é encerrado no colegiado. Aprovado o fundamento da denúncia, o caso segue ao plenário da Câmara para votação nominal pela cassação ou não do mandato. A cassação do mandato acontece se a opção receber dois terços dos votos dos vereadores.

Relembre o caso

Lórens Nogueira foi alvo da operação Déja-Vú, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR) no dia 26 de maio. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em seu gabinete e em endereços ligados ao parlamentar e a assessores. Nesses locais, os agentes encontraram R$ 118 mil em espécie.