Infraestrutura

Dois anos de atraso do Complexo do Tarumã: prefeitura estende prazo para janeiro de 2027

Alça de retorno do viaduto do Tarumã, em Curitiba, em agosto de 2026.
Alça de retorno do viaduto do Tarumã, em Curitiba, em agosto de 2026. Foto: divulgação / SECOM.

A entrega das obras do Complexo do Tarumã foi adiada novamente e a nova previsão de término passou para janeiro de 2027. O prazo anterior, que prometia a conclusão para agosto deste ano, foi descumprido pela empreiteira responsável, prolongando os transtornos de trânsito para motoristas e usuários do transporte coletivo que passam pela região. Com o novo calendário, as intervenções acumulam mais de dois anos de atraso em relação ao cronograma original, que previa a inauguração em dezembro de 2024.

A prorrogação ocorre em meio a sanções severas aplicadas pelo município contra a construtora Trail Infraestrutura. Segundo a Prefeitura de Curitiba, a empresa já recebeu mais de 200 notificações e intimações por descumprimento de etapas contratuais. Como consequência das punições administrativas, a empreiteira perdeu o direito a eventuais reajustes no valor do contrato.

A causa central do arrasto das obras foi explicada pelo secretário municipal de Obras Públicas Luiz Fernando Jamur durante entrevista para a Tribuna do Paraná em abril deste ano. Jamur revelou um problema envolvendo o estrangulamento do fluxo de caixa da empreiteira.

Por se tratar de uma intervenção de grande porte, o projeto exigiu um aporte inicial estimado em R$ 100 milhões em recursos próprios por parte da contratada para manter o ritmo dos trabalhos antes de receber as medições do poder público. A falta de fôlego financeiro da companhia teria comprometido o ciclo produtivo no canteiro de obras do Tarumã.

Gargalo histórico e promessa de fluidez

A obra tenta resolver um nó viário histórico da capital. Construído no início da década de 1970, o Viaduto do Tarumã fica no cruzamento da Avenida Victor Ferreira do Amaral com a Linha Verde (trecho urbano da BR-116) e canaliza o tráfego pesado entre Curitiba, Pinhais e Piraquara. Antes da intervenção, o trecho operava no limite com rótula e semáforo, gerando longos congestionamentos diários, sobretudo nos horários de pico.

Para desafogar a região, o projeto prevê a eliminação da antiga rótula, a construção de novas alças de acesso conectando os sentidos Norte e Sul da Linha Verde, além de duas novas estações de ônibus e a requalificação do sistema viário do entorno.

A obra dobrou a capacidade do viaduto: a estrutura original, de 24 metros de largura, passou a ter 50 metros. A ampliação foi executada com independência estrutural, ou seja, as novas faixas laterais ganharam fundações próprias para não sobrecarregar a construção original da década de 1970. Até a conclusão definitiva em 2027, porém, a promessa de alívio no trânsito segue dependendo da paciência de quem cruza a zona leste da cidade.

A Tribuna do Paraná entrou em contato com a empresa Trail Infraestrurura por e-mail na tarde de terça-feira (6), mas não recebeu um retorno até a publicação da reportagem.

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