Com a aquisição da Nutrilatina em 2023, a curitibana Hecke Alimentos busca reposicionar no mercado a empresa que já foi líder latino-americana em suplementação alimentar, mas que acabou sufocada por crises financeiras. O plano de reestruturação, que recebeu um aporte de R$ 40 milhões entre pesquisa, e-commerce e desenvolvimento de portfólio, entra agora na fase de distribuição física com produtos reformulados.
Fundada nos anos 1980, a Nutrilatina enfrentou um declínio financeiro a partir dos anos 2010, que culminaram em processos de recuperação judicial e no leilão de seus ativos industriais e de marcas. Nesse período de vácuo, a empresa perdeu espaço para novas marcas digitais e focadas no público de academias. A estratégia da Hecke, que atua há 24 anos com foco na importação de lácteos e alimentos, é usar sua estrutura logística para colocar a marca de volta ao varejo tradicional.
O diretor comercial da Hecke, Kleber Ronkoski, conta que empresa já operava nos bastidores desse setor de suplementos como fornecedora de insumos, como soro de leite e leite em pó, inclusive para a própria Nutrilatina no passado.
Ao comprar os direitos da marca, a empresa buscou usar seu poder de barganha na importação de países como Estados Unidos, Argentina e China para reduzir o custo de fabricação e competir por preço nos supermercados e farmácias.
“Nós já tínhamos a intenção de entrar no mercado de suplementos e estávamos desenvolvendo uma marca própria quando surgiu a oportunidade de compra”, afirma Ronkoski. “Já está no nosso DNA trazer insumos de fora com preços competitivos, o que ajuda a equilibrar o valor para o varejista e para a internet.”
A reformulação técnica dos produtos da Nutrilatina
O principal desafio comercial da nova gestão é atualizar o portfólio para mercado atual. O Diet Shake, produto mais conhecido da marca nos anos 1990, passou por uma mudança na composição.
A nova fórmula removeu a maltodextrina, um carboidrato complexo de rápida absorção, adicionou leite em pó importado da Argentina e elevou a quantidade de proteína para 15 gramas por dose com a inclusão de whey protein. “Devido ao tempo que se passou, muitas fórmulas precisaram ser ajustadas. A tabela nutricional evoluiu e nós recalibramos a parte de vitaminas e minerais”, diz Ronkoski.
A empresa também reformulou a linha de whey protein da Nutrilatina. Ronkoski explica que buscou um produto com sabor mais suave para o consumidor comum e prometendo maior rigor nos testes de laboratório para garantir que a quantidade de proteína descrita no rótulo seja exatamente a entregue.
Mudança de foco: do público fitness à gôndola do supermercado
Se nas décadas passadas o marketing da Nutrilatina era ancorado no público frequentador de academias, o plano de negócios atual mira em outra direção. O foco comercial são adultos acima dos 35 anos, faixa etária que retém a memória afetiva da marca, mas que hoje busca o produto por razões de bem-estar ou recomendação profissional para o envelhecimento ativo.
Para viabilizar o retorno financeiro do investimento, a Hecke optou por não disputar mercado diretamente com as marcas que dominam o comércio puramente digital voltado ao público bodybuilder. A meta é diluir os riscos pulverizando os atuais 27 produtos do mix em canais de venda de grande volume físico, como grandes redes de supermercados, farmácias e lojas de produtos naturais.
A linha de suplementos agora passa a integrar o portfólio da distribuidora curitibana ao lado de suas marcas próprias de alimentos, como Finíssima, Capa Azul e Capa Negra.



