Muito antes de completar 333 anos, celebrados neste domingo (28/03), Curitiba já guardava segredos de uma história milenar. Pesquisas recentes na Formação Guabirotuba, uma área geológica crucial da capital paranaense, revelam que a região foi habitat de espécies inéditas de ancestrais de tatus, preguiças e marsupiais, milhões de anos atrás.
O paleontólogo Fernando Sedor, coordenador do Museu de Ciências Naturais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), lidera estudos que desvendam esse passado pré-histórico. “Por muito tempo o nosso continente ficou isolado dos outros, o que resultou no surgimento de animais que só podem ser encontrados por aqui”, explica Sedor.
Há cerca de 40 milhões de anos, a paisagem curitibana era radicalmente diferente. O clima oscilava drasticamente entre verões e invernos, e a região assemelhava-se ao atual Pantanal brasileiro. Rios e riachos preservaram os fósseis, depositando-os em vales posteriormente cobertos por sedimentos.
Espécies de tatus descobertas em Curitiba
Os pesquisadores identificaram pelo menos cinco novas espécies de tatus ancestrais na Formação Guabirotuba. Entre eles, destaca-se o Parutaetus oliveirai, com aproximadamente 40 centímetros de comprimento, e o Proecoleophorus carlinii, comparável em tamanho ao tatu canastra atual.
“Devido a termos encontrado uma série de fragmentos de tatus com características que não são presentes em nenhuma outra espécie vivente ou extinta, elas são consideradas espécies novas”, afirma Sedor.
Fauna diversificada em Curitiba
Além dos tatus, Curitiba abrigava uma fauna pré-histórica diversa:
1. Marsupiais de vários tamanhos
2. Crocodilianos terrestres gigantes
3. “Aves do terror” – aves carnívoras de até dois metros de altura
4. Pirotérios – mamíferos com casco semelhantes a antas
5. Anfíbios e peixes similares aos atuais cascudos
Importância para a ciência
As descobertas em Curitiba preenchem lacunas cruciais sobre a evolução dos vertebrados na América do Sul e no mundo. A região é um dos apenas três locais no Brasil com formações contendo fósseis de mamíferos e outros vertebrados desse período.
“É uma fauna muito variada, e a todo momento estamos encontrando novidades. Sempre que vamos a campo podemos voltar com coisas novas”, ressalta Sedor.
O estudo desses fósseis não apenas revela a rica biodiversidade do passado, mas também ajuda os cientistas a compreender melhor a evolução dos animais e as transformações dos ecossistemas ao longo do tempo. Curitiba, muito antes da fundação oficial, já desempenhava um papel fundamental na história natural do continente.
