Quem convive diariamente com dores nas costas, no joelho ou no quadril sabe o quanto a espera por um procedimento médico pode pesar na rotina. Pensando em acelerar esses atendimentos e fazer a fila do Sistema Único de Saúde (SUS) diminuir, a Prefeitura de Curitiba lançou na manhã desta quarta-feira (9) o programa +Saúde -Espera.
O anúncio foi feito pelo prefeito Eduardo Pimentel no Hospital do Trabalhador, local que será o ponto de partida da iniciativa. A primeira frente do programa é focada na Ortopedia — uma das áreas com maior demanda represada na cidade. Para dar conta dos atendimentos, o hospital vai passar a realizar consultas e cirurgias eletivas de alta complexidade em horários alternativos: à noite, de madrugada e durante os fins de semana.
A meta do projeto é encaminhar 300 pacientes por mês para o Hospital do Trabalhador, garantindo cerca de 500 consultas por semana e superando a marca de 1.200 cirurgias ortopédicas até o final deste ano.
Atendimento para quem sente dor no dia a dia
Durante o lançamento, Pimentel destacou que o objetivo principal é devolver a qualidade de vida para quem sofre para trabalhar ou se locomover pela cidade.
“Quem está esperando sente dor, perde qualidade de vida e precisa de uma resposta do poder público. Por isso, estamos atacando diretamente onde a espera é maior. É para resolver o problema daquela senhora que tem dor na coluna, no quadril, e que pega ônibus todos os dias sofrendo. Com o mutirão, ela faz a cirurgia e volta a ter vida normal”, afirmou.
O prefeito reforçou que o mutirão noturno e de fim de semana respeita todas as regras trabalhistas das equipes de saúde e que a Ortopedia é apenas o primeiro passo. Em breve, a Prefeitura deve anunciar parcerias com outros hospitais da capital para contemplar mais especialidades médicas.
Como vai funcionar na prática
Para não atrapalhar o atendimento normal de urgência e emergência — que é a vocação principal do Hospital do Trabalhador —, a estrutura foi organizada para rodar em contraturno.
O diretor-superintendente do Complexo Hospitalar do Trabalhador, Guilherme Graziani, explicou que os procedimentos do mutirão serão somados aos atendimentos que a unidade já realiza rotineiramente.
“Hoje o hospital já faz cerca de 1.150 cirurgias de ortopedia por mês. Essas 300 novas cirurgias do programa são a mais. Elas serão realizadas no período da noite e nos fins de semana, com equipes próprias contratadas para isso. É um esforço extra para buscar quem está aguardando há anos por um procedimento de alta complexidade”, disse Graziani.
O foco principal do programa estará nas cirurgias de prótese de quadril e joelho (tanto primeiras colocações quanto revisões de próteses antigas), além de procedimentos de coluna, mão, ombro, cotovelo, pé e tornozelo.
Parceria entre Prefeitura e Governo do Estado
A ação é realizada de forma integrada entre o município e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), aproveitando a estrutura do programa estadual Opera Paraná. O secretário de Estado da Saúde, César Neves, ressaltou a importância de focar em procedimentos de alto custo para reduzir os gargalos do sistema público.
“Estamos falando das cirurgias mais complexas e custosas da medicina, como as próteses de joelho e quadril. O Hospital do Trabalhador está dando um grande exemplo ao abrir horários alternativos. A fila da saúde não acaba do dia para a noite porque novos pacientes entram todos os dias, mas com ações como essa a fila anda rápido e com eficiência”, pontuou.
A secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, destacou que a estratégia permite otimizar a capacidade que o hospital já possui. “É uma forma de aumentar drasticamente a produção de exames, consultas e cirurgias sem comprometer o fluxo de urgência da cidade.”
Fila de especialidades caiu 40%
De acordo com dados apresentados pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), o volume total de pacientes aguardando consultas e exames especializados em Curitiba teve uma queda de quase 40% desde o ano passado.
Segundo o município, algumas áreas registraram reduções históricas na fila de espera:
- Oftalmologia: redução de 99% na fila (passou de mais de 47 mil pessoas em jan/2025 para 557 atualmente, com tempo médio de espera de apenas 6 dias).
- Dermatologia: queda de 85% no número de pacientes aguardando.
- Ultrassonografia: redução de 72%.
- Otorrinolaringologia: queda de 65%.
- Tomografia de crânio: fila zerada desde o segundo semestre do ano passado.
Como ter acesso ao atendimento?
Os pacientes que aguardam por procedimentos de ortopedia não precisam ir diretamente ao hospital para solicitar o encaixe. O encaminhamento continua sendo feito por meio da rede básica de saúde.
A orientação da Prefeitura é que os moradores que precisam de atendimento acompanhem o cadastro pelo aplicativo Saúde Já Curitiba ou procurem a Unidade de Saúde mais próxima da residência para atualizar os dados e manter os exames em dia.
