O futuro das ferrovias no Paraná foi discutido nesta segunda-feira (27) durante uma audiência pública realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em Curitiba. O evento, promovido no Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), debateu a nova concessão da Malha Ferroviária Região Sul, que terá duração de 30 anos.

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Uma das principais demandas apresentadas na audiência foi a retirada dos trilhos que passam por Curitiba. A capital paranaense conta com 51 passagens em nível, que cortam 21 bairros e somam 40,7 quilômetros de trilhos. Segundo a prefeitura, a passagem do trem por diferentes regiões impacta a rotina de cerca de 467 mil moradores.

Além dos congestionamentos provocados pela interrupção do trânsito para a passagem das composições, o município justifica que a retirada dos trilhos representa mais segurança. Dados da ANTT mostram que, entre 2005 e 2025, foram registradas 433 ocorrências na ferrovia operada pela concessionária Rumo Malha Sul. O número é superior ao da segunda cidade brasileira com mais ocorrências, que é Juiz de Fora (MG), com 247. Somente entre 2021 e 2024, foram contabilizados em Curitiba 152 acidentes, com mais de 60 pessoas feridas e 27 mortes.

Em julho, durante uma reunião em Brasília, o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, defendeu a solicitação da cidade. “Curitiba tem um Estudo de Viabilidade Técnica Ambiental que já demonstra os ganhos com a retirada do trem de carga do meio da cidade. E um estudo do Ippuc também indica o planejamento da reestruturação urbana nas áreas remanescentes dos trilhos no futuro”, disse.

Outras solicitações

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Além do pedido para a implantação dos contornos ferroviários Leste e Oeste, foram apresentadas solicitações para a ampliação dos pátios de manobra, um novo traçado para o trecho da Serra da Esperança (entre Guarapuava e Lapa) e a priorização dos investimentos do subsídio cruzado da nova concessão para as obras no Paraná.

Participaram do encontro mais de 220 pessoas. Na mesa de autoridades estavam o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, o diretor da ANTT, Felipe Queiroz, além de representantes do Congresso Nacional.

Próximas audiências

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O objetivo da audiência desta segunda foi receber sugestões para as minutas do edital e do contrato de concessão do serviço público de transporte ferroviário de cargas, associado à exploração da infraestrutura dos corredores Paraná–Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul.

Além do encontro na capital paranaense, a ANTT fará audiências públicas em Porto Alegre (RS) e em Florianópolis (SC), nos dias 29 e 31 de julho, respectivamente.

Nova concessão ferroviária

No dia 27 de fevereiro de 2027, vence o atual contrato da Rumo Malha Sul com a União, e a empresa deverá devolver os trechos localizados no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Para garantir a continuidade do modal na região, o Governo Federal propõe a licitação de três corredores ferroviários separados. O Corredor Paraná-Santa Catarina formará um dos lotes, incluindo todas as linhas do interior do Paraná até os portos de Paranaguá e São Francisco do Sul, em Santa Catarina.

Os demais corredores serão o Mercosul, ligando Ourinhos (SP) à fronteira com a Argentina, no Rio Grande do Sul, e o Corredor Rio Grande.

Os três corredores serão licitados juntos, em um único leilão com três lotes. Segundo a ANTT, o investimento total previsto ao longo dos 30 anos de concessão é de R$ 14,4 bilhões em CAPEX (investimentos em obras, expansão e aquisição de equipamentos) e R$ 38,6 bilhões em OPEX (custos de operação e manutenção da ferrovia).