Empreendedorismo

Advogada larga toga após burnout e fatura R$ 800 mil com buffet infantil em Curitiba

Karynele Valerye Karas, empresária. Foto: Play House / divulgação.

Antes de administrar um dos buffets infantis em Curitiba, Karynele Valerye Karas vestia toga. A rotina da advocacia, no entanto, cobrou um preço alto: o diagnóstico de burnout marcou o ponto de virada de uma transição de carreira que já vinha sendo gestada havia tempo. “Eu já vinha sofrendo os efeitos da doença. E eu já sentia que eu precisava fazer essa mudança, de alguma forma”, relembra. Foi a orientação médica, direta e sem meios-termos, que selou a decisão. “Ele falou com todas as letras: você precisa mudar a tua rotina de trabalho, porque o teu corpo está extremamente estressado. De nada adianta você conquistar se você não tem saúde”, conta.

A mudança, porém, não aconteceu da noite para o dia, Karynele descreve o processo como gradual — ela seguiu atuando como advogada enquanto começava a se envolver com a gestão do buffet, até a transição se completar. Nessa travessia, teve o apoio importante do marido, Ademar Júnior. “Ele sempre disse que eu precisava fazer uma mudança, porque já via essa questão do esgotamento que eu vinha passando com a advocacia. A estabilidade financeira que ele me deu foi um grande diferencial para eu poder fazer essa transição”, afirma.

Apesar da mudança radical de setor, a empresária destaca que a bagagem jurídica segue presente na rotina de gestão do buffet — da leitura de contratos com fornecedores à negociação de cláusulas com clientes. “A advocacia me ajuda até hoje na gestão do Buffet Play House, seja para redigir um contrato, interpretar uma cláusula ou negociar com fornecedor. Ela te abre um leque muito grande para atuar em qualquer área”, avalia.

Hoje, Karynele responde por praticamente toda a gestão do Play House, enquanto Ademar Júnior atua mais diretamente em outro negócio do casal, prestando apoio pontual quando é acionado. “No buffet, quem toca praticamente tudo sou eu. O Júnior não toma parte da administração, mas me ajuda na gestão de pessoas e em algumas tomadas de decisão internas, só quando eu peço o help”, explica. Segundo ela, a expertise do marido no mercado de eventos foi decisiva logo no início da gestão, quando o buffet ainda operava no vermelho. “Quando o Play House foi assumido, ele não tinha faturamento, tinha prejuízo. Com a expertise que ele já tinha, com os contatos de fornecedores, a gente foi ajustando e adaptando”, relata.

Buffet Play House espaço de festas infantis em Curitiba. – Crédito: Divulgação.

O resultado dessa reestruturação é um negócio que hoje fatura R$ 800 mil por ano e opera em um espaço de 500 m² em Curitiba, com salão climatizado para até 130 pessoas sentadas e como forma de personalizar ainda mais os eventos, priorizamos uma festa por família. Entre os diferenciais citados pela empresária estão o pé-direito alto do imóvel — que amplia as possibilidades de decoração — e um cardápio que foge do modelo tradicional de salgadinhos e docinhos, sendo definido caso a caso pelos pais. “A gente nunca vai ter uma festa exatamente igual à outra. Ela sempre vai ser exclusiva e pensada para aquela família”, diz.

A vivência como mãe também influencia diretamente as escolhas do negócio, segundo Karynele. Foi observando os próprios filhos que ela decidiu investir na instalação de uma máquina de pelúcias no espaço — hoje um dos maiores atrativos do buffet. “Foi dessa vivência dentro de casa que veio a ideia. A criança conquista a sua pelúcia, é um diferencial do aniversário e uma lembrança daquele dia”, explica. Para a empresária, o principal ativo do negócio, no entanto, segue sendo o atendimento prestado pela equipe. “Eu busco garantir a excelência do atendimento. Entregar com carinho e respeito para cada criança faz um grande diferencial — e isso reflete nas avaliações que recebemos constantemente”, afirma.

Empresária investiu em uma máquina de pelúcias para o buffet. Foto: Play House / divulgação.

Sobre a decisão de trocar de carreira em um momento já consolidado profissionalmente, Karynele defende que mudanças de rota não têm prazo de validade. “O fato de você ter um diploma não é sinônimo de estabilidade para sempre. Não adianta você ter um diploma fixado na parede e estar infeliz, ou pior, estar doente. Acho que sempre é tempo de mudar”, conclui.

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