O trabalhador precisou trabalhar 114 horas e 16 minutos para comprar a cesta básica em Curitiba em setembro de 2026. O tempo equivale a mais de 14 jornadas de oito horas dedicadas exclusivamente à compra dos alimentos essenciais.
Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e divulgada na última sexta-feira (9), a cesta custou R$ 841,93 na capital paranaense.
O valor representa um aumento de 5,39% em relação a agosto, quando a cesta custava menos e exigia 108 horas e 25 minutos de trabalho para ser comprada. Em um ano, entre setembro de 2025 e setembro de 2026, o custo dos alimentos básicos subiu 11,43% em Curitiba.
No acumulado de 2026, a alta chegou a 14,10%, considerando o período de dezembro de 2025 a setembro deste ano.
Renda comprometida por gastos básicos
O peso da alimentação também aparece na parcela do salário necessária para pagar os produtos. Considerando o salário mínimo líquido de R$ 1.621, já descontada a contribuição de 7,5% para a Previdência Social, o trabalhador precisou comprometer 56,15% da renda com a cesta básica em setembro. Em agosto, esse percentual era de 53,28%.
Na prática, mais da metade do rendimento líquido mensal foi destinado aos alimentos pesquisados, antes de despesas como moradia, transporte, energia elétrica e saúde.
Entre os itens que mais pressionaram o custo da cesta em Curitiba estão o tomate e a batata. De agosto para setembro, os preços médios do tomate aumentaram 53,71%, enquanto os da batata subiram 41,63%.
O arroz agulhinha também ficou mais caro, com alta de 9,27% no mês. Ao todo, seis dos 13 produtos que compõem a cesta pesquisada tiveram aumento de preço no período.
Em 12 meses, a batata acumulou alta de 101,49% em Curitiba, enquanto o tomate ficou 61,10% mais caro. O feijão preto também registrou aumento expressivo, de 35,73%. Na direção contrária, o café em pó teve queda de 21,92% no mesmo intervalo, seguido pelo açúcar refinado, com redução de 13,74%.
