Crime organizado

Advogada do Paraná é presa por ligação com facção que torturava acusados de traição

Fotografia em plano médio de costas de dois policiais civis paranaenses durante uma operação de segurança em frente a um imóvel. Em primeiro plano e à esquerda, um policial civil veste uniforme preto composto por camisa de manga longa, calça e um colete tático equipado com um patch cinza com a sigla "PCPR". Ele segura um fuzil verticalmente junto ao corpo. À direita, o segundo policial civil usa vestimenta preta tática similar, boné escuro com a inscrição "PCPR", e um colete com o brasão e os dizeres "POLÍCIA CIVIL PARANÁ". Ele porta coldre e equipamento na cintura. No plano intermediário, os agentes estão posicionados de costas, diante de um portão metálico preto de grades verticais. Ao lado direito do portão, um pilar de concreto exibe o número "520" pintado em branco na vertical. Ao fundo, avista-se a fachada de uma residência com paredes em tom azulado sob a luz difusa do dia.
Operação aconteceu em três estados. Foto: PCPR.

A megaoperação contra uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes violentos resultou na prisão de 106 pessoas nesta quarta-feira (14). A ação da Polícia Civil do Paraná (PCPR), em conjunto com o Ministério Público do Paraná (MPPR), mobilizou mais de 500 policiais e cumpriu mandados no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo.

Ao todo, foram cumpridos 92 mandados de prisão e 120 de busca e apreensão. Outras 14 pessoas foram presas em flagrante após a apreensão de drogas, armas e outros materiais durante as diligências.

Entre os presos está uma advogada de Realeza, no Sudoeste do Paraná, identificada durante a investigação por manter vínculos com a organização criminosa. As buscas ocorreram em 20 municípios paranaenses, além de Abelardo Luz, em Santa Catarina, e São Carlos e Cotia, em São Paulo.

Os policiais apreenderam celulares, cerca de um quilo de maconha, mais de 300 gramas de cocaína, três armas de fogo, munições e documentos. Em Curitiba, também foram encontrados 38 pés de maconha em uma estufa usada para o cultivo da planta.

Comando partia de dentro dos presídios

A investigação começou em Clevelândia, no Sudoeste do Paraná, após registros de tortura e cárcere privado contra pessoas acusadas pela facção de “traição”. O grupo também cobrava dívidas do tráfico por meio de ameaças e intimidação. Ao rastrear a origem das ordens para os crimes violentos, os investigadores chegaram a celulares clandestinos apreendidos em uma penitenciária da região.

Segundo a PCPR, as lideranças negociavam grandes quantidades de cocaína, crack e maconha para revenda em diferentes regiões, com preços tabelados. Os integrantes transportavam os entorpecentes entre municípios, armazenavam as drogas em depósitos e controlavam pontos de venda à distância.

Dentro dos presídios, a organização mantinha uma estrutura própria de poder, com funções destinadas a fiscalizar regras, julgar integrantes considerados infratores e determinar castigos físicos.

A comunicação com o exterior era mantida por meio de celulares e roteadores escondidos, recarregados e distribuídos entre as celas. Do lado de fora, familiares e outros colaboradores ajudavam na operação, inclusive transportando drogas escondidas no corpo durante visitas aos presos.

Grupo usava contas de terceiros

A investigação também identificou mecanismos para dificultar o rastreamento dos recursos obtidos com o tráfico. Os depósitos eram fracionados e os saques, feitos rapidamente. A polícia identificou ainda uma empresa de fachada do ramo de transportes usada para receber pagamentos referentes a cargas de drogas.

A Justiça autorizou a quebra do sigilo bancário das contas utilizadas pelo grupo e o acesso aos dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos. Novas investigações devem dar continuidade as operações.

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