Ao andar por parques e calçadas de ruas de Curitiba não é raro ser “premiado” com uma surpresa nada agradável: pisar em um cocô de cachorro e ter o sapato comprometido. Situação que na maioria das vezes é na verdade causada pelos donos dos cães, que esquecem de recolher ou deixam os dejetos dos animais para trás, sem o menor peso na consciência. Também é comum é encontrar sacolas plásticas com as fezes dos pets ao lado de postes e árvores, o que acaba rendendo até brigas na vizinhança.

Mas afinal, qual é o destino correto para o cocô dos animais?

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De acordo com o diretor do Departamento de Limpeza Pública da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Curitiba, Edelcio Marques dos Reis, quem tem animal tem responsabilidades que inclui a destinação correta dos dejetos produzidos por eles. E, assim como as fezes humanas, a melhor destinação para o cocô dos animais é o seu próprio vaso sanitário, ou seja, a rede de esgoto.

“A destinação ambientalmente correta é o esgoto. O correto é recolher os dejetos do animal, acondicionar em um jornal ou plástico e levar para casa, para em seguida, jogar no vaso sanitário. Os cocôs dos cachorros devem receber o mesmo tratamento das fezes humanas, que vão para a rede de esgoto para serem tratadas”, explica Edelcio.

Durante um passeio, caso não seja possível levar o cocô do pet até o banheiro, a recomendação é recolher, embalar os dejetos e deixar a sacolinha bem fechada em uma lixeira da coleta de lixo orgânico, que depois seguirá em um caminhão até um aterro sanitário. “Não é para deixar no pé da árvore ou no poste. Quem tem pet cuida e quem cuida dá o destino correto para o cocô do animal”, reforça o diretor do Departamento de Limpeza Pública.

As fezes dos gatos devem ter o mesmo tratamento que as dos cães. Sim! “É o mesmo sistema. As fezes dos gatos devem ir para o vaso sanitário, mas só as fezes. Isto não vale para a areia do gato ou para os tapetinhos higiênicos”, reforça Edelcio.

Punição e doenças

Quem não recolhe as fezes de cães e gatos pode ser advertido ou até receber multa. “Há a municipal lei 7833/91 e o decreto 643/2001, que dizem que os infratores podem ser orientados ou até receber uma multa que corrigida, pode chegar a R$ 200”, diz o diretor que atua na Secretaria do Meio Ambiente de Curitiba.

Além de ser algo desagradável, que mostra falta de educação do donos dos animais, deixar o cocô de cachorro na rua também pode oferecer riscos para a saúde humana e de outros animais. Em gramados e calçadas, os dejetos podem gerar mau odor, levar a formação de ovos de parasitas e transmitir doenças.

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Para adultos e crianças, o contato com o cocô de cachorro, especialmente os de rua, sem acompanhamento veterinário, pode acarretar verminoses e outras doenças, explica a médica dermatologista Sílvia Brunetta, da Clínica Jardins. Uma das doenças é a toxocaríase, infecção que pode gerar febre, tosse e até problemas de visão. A toxocaríase que acomete principalmente muitas vezes crianças que brincam em parquinhos, pelo contato com terra contaminada com excrementos de cachorros com larvas.

Outra doença, explica a veterinária, é o bicho geográfico, doença de pele causada por larvas que parasitam o intestino de cães e gatos. “O contato com as fezes desses animais, principalmente no caso do cachorro, pode causar bicho geográfico e verminoses. As pessoas têm contato com os dejetos, acabam colocando a mão na boca e são contaminadas com os vermes, que vão para o intestino. Já as alergias de pele não são tão comuns. No caso dos gatos, as fezes podem transmitir a toxoplasmose, que é a doença mais temida, especialmente pelas mulheres grávidas, pelo risco de má-formação nos fetos”, alerta a médica.

Perigos para os pets

Já no caso dos pets, a contaminação com o cocô de outros animais também pode resultar em vermes e infecção intestinal. “Para os animais, a principal doença transmitida através do contato com as fezes é o parasitismo, além de verminoses e da giárdia. As fezes ainda podem ser um meio de cultura: podem servir de substrato para outras bactérias que estão no local onde foi defecado e podem levar a uma gastroenterite, uma infecção intestinal”, explica o médico veterinário Vantuir Antônio Pinto Filho, da clínica Vet Produtor.

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No solo, a contaminação dos dejetos pode ser causada pelos próprios cães, quando os animais não recebem doses periódicas de vermífugos ou até mesmo por animais de outras espécies. “A principal forma de transmissão de giárdia é pelas aves. As aves podem defecar e contaminar o solo e os dejetos que lá estão. Consequentemente, o animal que ingerir ou entrar em contato com estas fezes pode acabar adquirindo a giárdia. A doença oferece menor risco de óbito, mas pode causar diarreia com muco e sangue, indisposição, cólica abdominal e infecções secundárias”, diz Vantuir.

Para evitar problemas, o veterinário recomenda manter seu cachorro distante do cocô de outros bichos. “A indicação é não deixar entrar em contato como as fezes. A gente sabe que existem muito animais errantes, que vivem na rua. Mas se todo o mundo agir corretamente e cuidar do próprio animal, os dejetos serão poucos. E hoje existem várias formas de transportar isso no do dia a dia. Um exemplo é o que a gente chama de cata-caca, que é um saquinho plástico que pode ser preso na própria corrente do animal, ficando ‘na mão’, para quando for preciso”, orienta o veterinário.