Esperança, uma fêmea da espécie Allouatta guariba, conhecida popularmente como bugio-ruivo, está há dois meses em recuperação no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O animal pertence a uma espécie criticamente ameaçada de extinção e listada entre os 25 primatas mais ameaçados do planeta.
Ela foi encontrada no dia 2 de março, às margens de uma estrada em Contenda, na Região Metropolitana de Curitiba, ao lado de um filhote. Segundo a equipe de resgate, os dois permaneceram por cerca de dois dias no mesmo local. O filhote chegou a ser encaminhado para atendimento pelo Centro de Apoio à Fauna Silvestre (CAFS), mas sofreu convulsões e morreu em decorrência de uma pneumonia.
Batizada de Esperança pela equipe veterinária, a bugio chegou à UFPR em estado grave. Ela não conseguia permanecer sentada nem se locomover adequadamente, o que comprometia atividades como subir em árvores e interagir com o ambiente. Os exames clínicos apontaram quadro severo de desidratação, presença de larvas pelo corpo, fecaloma intestinal e sinais de sepse.
Esperança está em fisioterapia
Após o início do tratamento, houve melhora do estado geral de saúde. Ainda assim, a primata permaneceu com fraqueza muscular nos membros anteriores, posteriores e também na cauda, além de dificuldades para se movimentar e manter a postura. Diante do quadro, a equipe iniciou a fisioterapia intensiva.
“Na fisioterapia, o objetivo é sempre devolver qualidade de vida aos pacientes. Quando pensamos em animais silvestres, é fundamental avaliar se eles poderão se recuperar total ou parcialmente e se terão autonomia para executar suas atividades, mesmo diante de possíveis sequelas”, explica a professora Soraia Figueiredo de Souza, responsável pela reabilitação fisioterapêutica da primata.
O tratamento teve como foco o fortalecimento da musculatura do tronco, abdômen, cauda e membros, além da redução dos efeitos provocados pelo longo período em que o animal permaneceu imóvel. Segundo a equipe, a recuperação já trouxe avanços importantes, como melhora da coordenação das mãos e recuperação da força da cauda.
Recuperação a aproxima da alta
Prestes a receber alta, Esperança segue em observação para ganhar peso de forma consistente e comprovar que consegue realizar suas funções de maneira independente, mesmo com possíveis limitações.
Segundo a UFPR, por ser considerada idosa, ela deverá ser encaminhada para um criatório especializado, onde viverá com outros animais da mesma espécie.
Com a aproximação do inverno, a equipe também aguarda o crescimento da pelagem, parcialmente removida para exames e procedimentos médicos. A expectativa é que, nas próximas semanas, Esperança esteja pronta para iniciar uma nova etapa de vida em segurança.



