Economia

Paraná envelhece rapidamente e já busca soluções para falta de mão de obra

Entre 2012 e 2025, o número de pessoas com 60 anos ou mais no Paraná aumentou 55,42%. Foto: Robson Mafra / AEN
Entre 2012 e 2025, o número de pessoas com 60 anos ou mais no Paraná aumentou 55,42%. Foto: Robson Mafra / AEN

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), entre 2012 e 2025, o número de pessoas com 60 anos ou mais no Paraná aumentou 55,42%. E segundo a projeção do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), a população de idosos no estado superará a de crianças e adolescentes já no próximo ano.

A força de trabalho jovem sempre foi uma importante peça na engrenagem do desenvolvimento econômico de uma região. Mas diante da tendência mundial do envelhecimento das populações e olhando especificamente para o cenário do Paraná, como é possível fechar a conta e manter o crescimento do estado?

“A grande questão, e já há exemplos de economias envelhecidas que conseguiram isso, é manter o crescimento ao investir em produtividade, qualificação contínua e maior participação de trabalhadores mais velhos no mercado de trabalho”, afirma Patrícia Tendolini Oliveira, economista e coordenadora dos curso de Negócios Internacionais e Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). “Além disso, a longevidade produtiva, que é a extensão da vida laboral com qualidade, pode compensar, em parte, a redução da população ativa”, reforça.

Para entender como tratar a questão de mão de obra e emprego no Paraná, Leonildo Pereira de Souza, diretor do Departamento de Estudos Populacionais e Sociais, do Ipardes, dá um panorama de como esse envelhecimento tem ocorrido por aqui. ”O estado tem uma característica de ter mais idosos no noroeste. Temos também Curitiba como uma cidade envelhecida, embora a região metropolitana seja mais jovem, e inclusive, a capital é mais envelhecida do que a média do estado. E a gente tem visto um aumento no número da população acima dos 60 anos no litoral”, diz.

Souza explica que em cada uma dessas regiões, o envelhecimento da população é diferente. Segundo ele, por exemplo, o litoral tem se tornado o destino de muitas pessoas após a aposentadoria. Já no noroeste, além do aumento da expectativa de vida, os mais jovens acabam migrando para cidades de médio porte em busca de emprego e desenvolvimento, mas mantendo a qualidade de vida. E na capital, a região metropolitana é fundamental para oxigenar o setor.

A equação para o equilíbrio econômico

Nessa migração de curta distância, vários municípios acabam se beneficiando com a mão de obra jovem que chega. E naquelas que acabam perdendo sua população ativa para o trabalho, há empresas que adotam estratégias como a de buscar e levar funcionários às suas cidades diariamente, sendo uma tendência que deve se manter nos próximos anos. Já no caso do litoral, o investimento na chamada “economia prateada” pode funcionar bem para equilibrar as contas.

Um fator que também auxiliará o Paraná neste ajuste de mão de obra, é a força jovem vinda de outros países ou estados. Souza salienta, entretanto, que essa não deve ser a “salvação da lavoura”, mas poderá ser um pilar importante se bem aproveitada.

“Muitos municípios do Paraná são ganhadores líquidos em migração e outros não. Geralmente as cidades médias são as que mais ganham. Então, aqui dentro do estado isso acaba se equilibrando dessa forma”, explica ele, ao mostrar que, embora nossa percepção possa ser de que há muitos estrangeiros trabalhando no estado hoje, ao se olhar para o universo de 12 milhões de habitantes, o impacto é pequeno. “Já na migração do Paraná com o resto do Brasil, o estado é ganhador líquido também. Chega a ser positivo, mas não chega a, sozinho, mudar a tendência da falta”, completa.

E é aí que outra questão se apresenta: o aumento da produtividade. Tanto a economista Patrícia Tendolini Oliveira, quanto Leonildo Pereira de Souza concordam que o avanço tecnológico, com a automação em alguns setores, e a escolaridade mais alta, farão a diferença no futuro. “Estudos indicam que na América Latina o risco de substituição dos empregos por tecnologia é baixo. A perspectiva é de que haja ganhos de produtividade associados ao uso de tecnologia. Ou seja, a automação tende a complementar o trabalho humano e não simplesmente substituí-lo”, comenta Oliveira. 

“Se a escolaridade melhorar, a gente pode ter um ganho de produtividade, que vai acabar diminuindo a necessidade de mão de obra. Por exemplo: a agroindústria, o campo, ele já é altamente automatizado e é o setor que mais cresce no Paraná. Ele já não precisa mais de tanta força humana, porque a produtividade já aumentou e assim seguirá”, avalia Souza, reforçando que a educação, junto da tecnologia e dos serviços que vão se atualizando para agregar valor, principalmente aos idosos, devem ser levados em consideração nessa equação para o futuro econômico do estado.

Economia prateada

O envelhecimento populacional, para além dos impactos negativos, também pode ser encarado como uma importante oportunidade econômica. A economia prateada, que são as atividades voltadas ao consumo e às necessidades da população idosa, mostra um horizonte promissor.

“É um mercado em franca expansão, impulsionado pela crescente demanda por serviços de saúde, bem-estar, turismo, moradia adaptada, tecnologia assistiva e educação continuada”, pontua Oliveira.

De acordo com ela, nesse contexto, o envelhecimento, quando associado a melhores condições de saúde e maior participação econômica da população idosa, pode não apenas sustentar o consumo, mas também estimular ganhos de produtividade e a criação de novos mercados e modelos de negócio.

Assim o Paraná pode transformar esse envelhecimento em um vetor de desenvolvimento, ao estimular serviços de saúde preventiva e cuidados de longo prazo, o turismo acessível e adaptado, trazer soluções tecnológicas para autonomia do idoso, criar novos modelos de moradia, e fomentar a educação ao longo da vida e a inclusão digital.

“Vai ser uma parte da população que vai crescer. Geralmente é um grupo que em termos de renda está mais estabelecido, seja porque se aposentou ao trabalhar a vida inteira, seja porque a proteção social no Brasil é muito voltada para esse público. Então esses serviços e produtos para a população idosa, contribuirão também para a economia”, finaliza Souza.

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