As sucessivas oscilações no fornecimento de energia elétrica em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, ameaçam a competitividade de um dos principais polos industriais do Paraná. Empresas locais relatam paralisações em linhas de produção, danos a equipamentos e atrasos operacionais causados pelas falhas no abastecimento da Copel.

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Levantamento do Núcleo das Indústrias 30+, ligado à Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), estima prejuízos próximos de R$ 1 bilhão em 2025. O grupo reúne empresas responsáveis por cerca de 99% da atividade industrial do município.

Ponta Grossa abriga um dos mais relevantes parques industriais do estado, com forte presença dos setores alimentício, metalmecânico, papeleiro, químico, logístico e de embalagens. A cidade também funciona como eixo de escoamento da produção estadual por redes ferroviárias e rodoviárias.

Gargalo trava automação e produtividade

A preocupação com a energia surgiu em debates da Acipg sobre gargalos estruturais do município. Segundo o presidente da entidade, Leonardo Puppi Bernardi, uma pesquisa apontou o setor elétrico como prioridade das indústrias, superando temas como mobilidade urbana e infraestrutura aeroportuária.

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Hoje, o problema ganhou dimensão crítica devido ao avanço da automação industrial. “Temos empresas altamente automatizadas. Qualquer oscilação impacta diretamente a produção, gera insegurança operacional e aumenta os custos”, afirma Bernardi.

Ao menos 25 indústrias encaminharam relatórios à associação detalhando os impactos. Os relatos incluem desde paralisações totais das operações até danos materiais. Conforme o presidente da Acipg, as perdas vão além da queima de maquinário, englobando funcionários parados e atrasos logísticos.

Indústrias relatam perdas na produção

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Entre os casos registrados está o da Tetra Pak. Dados da Acipg indicam que a multinacional contabilizou o equivalente a 15 dias sem energia ao longo de 2025. Em nota, a empresa confirmou as oscilações, mas ressaltou que a gestão interna da fábrica evitou impactos no abastecimento dos clientes.

Outro reflexo ocorre na Metalúrgica Hübner, especializada em fundição e usinagem de componentes pesados. O proprietário, Nelson Hübner, conta que as oscilações afetam diretamente os equipamentos modernos. “Qualquer variação drástica ou falta de energia provoca interrupção dos trabalhos e prejuízos”, diz.

As perdas da metalúrgica chegaram a R$ 600 mil em um ano. Hübner relata que o problema persiste mesmo após investimentos internos para tentar mitigar as falhas. “Há três ou quatro anos investimos para melhorar o recebimento da energia. Mesmo assim, quando ocorrem temporais ou falhas maiores, ainda sofremos.”

Empresários cobram soluções em Brasília

A gravidade da situação levou lideranças industriais a Brasília em março deste ano. Representantes da Acipg, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e empresários reuniram-se com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e com parlamentares da Comissão de Infraestrutura do Senado.

O objetivo foi cobrar soluções estruturais para garantir estabilidade ao fornecimento local. “Apresentamos a importância industrial de Ponta Grossa e mostramos que esse problema afeta diretamente a competitividade das empresas”, explica Bernardi.

Após a agenda na capital federal, a Copel participou de uma reunião técnica na Acipg em abril. No encontro, a concessionária apresentou o planejamento energético para a cidade e detalhou os investimentos previstos para mitigar as falhas.

Copel cita investimentos e limites regulatórios

Em nota, a Copel informou que possui R$ 36,3 milhões em investimentos em andamento em Ponta Grossa ao longo de 2026. Os recursos são aplicados na expansão, automação e modernização da rede de distribuição, além da implantação de um novo circuito alimentador e ampliação de subestações.

A companhia esclareceu que parte do parque industrial é atendida em média tensão, modalidade mais suscetível a variações externas. Para indústrias com demanda superior a 2,5 megawatts, a recomendação técnica da concessionária é a migração para o atendimento em alta tensão, por meio de subestações próprias.

A empresa destacou ainda a instalação de qualímetros para monitorar a qualidade da energia nos clientes de alta demanda. Segundo a Copel, as medições indicaram que o fornecimento está dentro dos limites regulatórios e que os aparelhos ajudam a identificar melhorias necessárias nas próprias instalações internas das fábricas.