São Paulo (AE) – Pela primeira vez, produtores independentes de TV e cinema, TV educativas, TVs abertas e o Ministério da Cultura se encontram em uma única mesa de debates internacional para discutir os rumos da produção audiovisual brasileira. O cenário não poderia ser mais apropriado, o MipCom 2005, maior mercado de audiovisual do mundo, que toma nesta semana a cidade de Cannes, na França, tradicional cenário de cinema. O momento também não poderia ser mais apropriado. O Brasil é o tema da edição da feira deste ano e o MipCom organizou uma programação especial em homenagem ao País. As ações começam hoje (17), com a festa de abertura do evento, organizada pelo governo brasileiro. Mas a atração principal ocorre amanhã (18), o Dia do Brasil em Cannes, às 17 horas local com a conferência Brasil Keynote and Country Spotlight ou Painel do Mercado Audiovisual Brasileiro, mediada pelo ministro Gilberto Gil e pelo secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Orlando Senna, que conta com a participações de representantes de todos os setores do audiovisual brasileiro.

"É uma ocasião única para o País, que, finalmente acerta os ponteiros entre diversos setores desta área tão estratégica. Quem não pôde participar com certeza perdeu oportunidades únicas de negócio e aprendizado. Nosso objetivo é demonstrar que o Brasil está tecnologicamente, empresarialmente e artisticamente apto para destacar-se no cenário mundial de teleprodução e teledifusão", comenta Senna. "Teremos vários painéis de debates e reuniões de troca de experiências, cujo conceito central é apresentar a diversidade da produção audiovisual brasileira no mercado internacional", completa Mário Borgneth, gerente de documentários da TV Cultura e do Ministério da Cultura. Borgneth ressalta também a oportunidade de grandes emissoras como a TV Globo e a TV Record discutirem a mesma pauta com o governo.

"As relações entre TVs abertas e o Ministério da Cultura no ano passado se pautaram muito pelas divergências, pelas discussões sobre a Ancinav. É importante este momento para se encontrar um território de entendimento possível, uma conversa que interessa a todos e que pode criar novas oportunidades de negócios para todos", completa.

Os produtores independentes, que neste ano alcançaram conquistas inéditas, também desembarcaram em peso na Croisette. "O Mipcom é o ponto culminante do Projeto Setorial, ou seja, do trabalho que tem sido feito durante o ano inteiro pela ABPITV (Associação Brasileira de Produtores Independentes de TV) pelo o Sebrae, pela Agência de Promoções de Exportação do Brasil (APEX) e pelo Minc. Será muito importante mostrarmos na maior vitrine do mundo que desta vez viemos para a feira com muito mais que nossas pastas de projetos debaixo do braço. Queremos fechar negócios", comenta a produtora Denise Gomes, da Bossa Nova Filmes. Denise tem vários projetos para apresentar durante a feira e é responsável pela revista que apresenta o potencial e os recursos do audiovisual brasileiro para produtores do mundo todo.

Os primeiros indicativos da eficácia do Projeto Setorial para profissionalizar o setor e as co-produções internacionais do País vieram com os números apresentados. Os previstos R$ 6,5 milhões a serem atingidos pelos acordos comerciais entre produtoras brasileiras e internacionais até 2006 já haviam sido superados e batiam os R$ 7,7 milhões até o meio do ano. "Tudo isso em acordos de co-produção fechados com países como Chile, França, Kuwait, EUA, Espanha, Portugal, Itália, Canadá, Japão, México, Áustria, Polônia e Suécia. Ação que vai além do vender, promovendo também a estruturação do setor. E isso só tende a se intensificar", comenta Marco Altberg, da ABPITV.

A vinda de Jacques Gibout, diretor do MipCom, ao País em junho deste ano, participando do 6.º Fórum Brasil de Programação e Produção, foi outro indicador. Em sua passagem por São Paulo, Gibout afirmou que a Europa sonha com o Brasil e que o acordo de co-produção assinado entre Brasil e França neste ano vai afetar a produção brasileira. "A ótima qualidade das telenovelas brasileiras é famosa no mundo todo. Tanto que vários canais estão adotando esse formato, mesmo num mercado altamente agressivo e competitivo como a América do Sul e até mesmo na Ásia. Além disso, a produção de documentários brasileira sobre vida selvagem e natureza, auxiliada pelas belas paisagens do País, é incrível. Essas produções ainda precisam ser promovidas de uma forma mais global e profissional para ganhar reconhecimento internacional. Por fim, o mercado de entretenimento brasileiro não estará completo se não houver ênfase especial no renovado e dinâmico cinema nacional, premiado em festivais de todo o mundo", declarou ele, que vê na participação do Brasil como tema central do Mipcom 2005 o passo decisivo para a profissionalização das exportações e co-produções do audiovisual brasileiro. "Até hoje, a TV Globo foi um forte agente no mercado europeu. Mas,recentemente, a participação dos produtores independentes deu-nos uma visão mais abrangente e rendeu resultados promissores. Mas esses esforços ainda são muito recentes e precisam ser encorajados e apoiados."