Os senadores interrompem amanhã a campanha nos Estados para votar, entre outros temas, o projeto de resolução que autoriza a renegociação da divida mobiliária de Alagoas com a União, no valor de R$ 807,1 milhões. O assunto é polêmico e vai dividir o plenário. A senadora Heloísa Helena (PT-AL) conta com o apoio de colegas da oposição para obstruir a votação da proposta. Segundo ela, a renegociação legitimará a operação fraudulenta feita pelo Estado, em 1995, na emissão de cerca de R$ 300 milhões em títulos públicos destinados ao pagamento de precatórios fantasmas.

Denunciada há cinco anos, a fraude do governo alagoano e de outros Estados foram investigados pela CPI dos Precatórios, que concluiu pela ilegalidade das operações.

Heloísa Helena vai pedir que seja anulada a votação do projeto na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), ocorrida na noite da última quinta-feira, quando o Congresso já estava vazio. A senadora alega que a reunião se realizou à revelia da maioria dos membros da comissão, inclusive dela própria. Se falhar a estratégia, os parlamentares contrários à matéria vão tentar impedir a votação.

Defendem a votação da proposta o vice-líder do governo, Romero Jucá (PSDB-RR), o líder do PMDB, Renan Calheiros e o senador Teotônio Vilela Filho (PSDB), ambos de Alagoas. Os dois são aliados do governador Ronaldo Lessa (PSB), candidato à reeleição  que disputa o cargo com o ex-presidente Fernando Collor.