Há uma semana do primeiro turno das eleições municipais, a polarização entre PSDB e PT na cidade de São Paulo – encarnada na disputa e nos ataques entre José Serra e Marta Suplicy -se reproduz em outros grandes centros no Brasil.

Nos 72 principais municípios do País, incluindo todas as capitais, nenhuma outra batalha é tão presente quanto a de petistas e tucanos. No total, 68 cidades podem ter segundo turno porque possuem mais de 200 mil eleitores. Somadas às quatro capitais com menos de 200 mil votantes, formam os 72 mais importantes palcos políticos da federação. São mais de 42 milhões de eleitores, cerca de 35% dos quase 120 milhões aptos a ir às urnas neste ano.

Dos 72 municípios, só não há pesquisas de intenção de voto em cinco deles. O levantamento feito pela reportagem considera as pesquisas mais recentes e registradas na Justiça Eleitoral. A maior parte dos levantamentos foi feita pelo Ibope.

Petistas e tucanos protagonizam, juntos, a disputa em dez das 67 grandes cidades com pesquisas. Nenhum outro duelo entre siglas chega a esse número. O PSDB leva vantagem no confronto direto com o PT: os peessedebistas lideram em sete municípios, contra apenas um do adversário. Nos outros dois, estão empatados. Neste último caso, também são considerados os chamados empates técnicos, de acordo com a margem de erro de cada levantamento.

Curitiba

Além de São Paulo, a polarização entre PT e PSDB ocorre também na capital Curitiba (PR). O petista Angelo Vanhoni e o tucano Beto Richa estão tecnicamente empatados. Na Grande São Paulo, os partidos protagonizam a corrida eleitoral em Osasco, Santo André e Diadema.

Para efeito de comparação, o duelo que fica mais próximo da polarização entre petistas e tucanos é entre o PMDB e o PT, com seis confrontos diretos. Nesse caso, o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está na frente em quatro cidades, contra duas dos peemedebistas.

Os tucanos também levam vantagem quando se verifica quem está na liderança nesses grandes centros. O PSDB é o primeiro colocado em cinco capitais e mais outros dez municípios. Em seguida, vem o PT, com iguais cinco capitais, mas apenas outras seis cidades. Total: 15 a 11 para a sigla oposicionista ao Palácio do Planalto.

Em outros seis municípios, sendo duas capitais, o PSDB divide o primeiro lugar com outras siglas – por conta do empate técnico. O PT está em igual situação em outras cinco cidades, incluindo três capitais. Em resumo, os tucanos têm boas chances em 21 municípios. Os petistas, em 16 outros. Há ainda outros municípios em que as siglas estão no segundo lugar e ainda podem virar o jogo.

Hoje, o PT governa 22 dos 72 maiores centros, com um total de 18,4 milhões de eleitores. O PSDB vem a seguir, com 14 dessas cidades – 4,4 milhões de eleitores. Pelo atual quadro, os tucanos têm a oportunidade de tomar a dianteira nos principais eleitorados brasileiros.

Tucanos levam vantagem

A chance de ganhar a eleição no primeiro turno também é quantitativamente maior para o PSDB. O partido assume esta condição favorável em sete grandes cidades do país. O PT aparece disparado na frente em três delas. Quando se comparam apenas as capitais, no entanto, os petistas têm vantagem. Todas as três cidades em que o partido domina são capitais – Belo Horizonte (MG), Palmas (TO) e Aracaju (SE). Os tucanos não têm nenhuma.

Quando se levam em conta apenas as oito cidades com mais de 1 milhão de eleitores, a disputa também favorece o PT, que está na frente em Belo Horizonte, Recife (PE) e Porto Alegre (RS). Os tucanos lideram em Fortaleza (CE). Empatados no primeiro lugar, PSDB e PT têm São Paulo e Curitiba. Na Grande São Paulo, o PSDB está na frente em Mogi das Cruzes, Osasco e Santo André. O PT lidera em Diadema e Guarulhos.