A respeitada revista Scientific American, na sua edição de abril, classificou o Brasil ao lado da Mauritânia, Mali, Niger, Eritréia, Sudão, Senegal, Arábia Saudita, Paquistão, Índia e Tailândia. O termômetro para essa classificação foi a existência de escravos. Segundo a revista, o número de escravos no Brasil é dos mais elevados. Curioso é que não nos damos conta disso. E, pior, somos o único país na América Latina a ainda conviver com esse absurdo.

E mais, temos o pecado de fechar os olhos para essa questão, tanto que revidamos unissonamente o representante da ONU que aqui esteve e daqui saiu declarando que o Brasil é o país da desigualdade social, da fome, da miséria, das pessoas sem-teto, sem-terra, sem-emprego e sem o mínimo possível para manter uma vida digna.

Os números são nossos. O IBGE informa que 48% dos municípios brasileiros não têm rede de esgoto (vejam bem, é a metade!), que 67% das residências não têm esgoto e 37% não possuem água encanada.

Na cultura, então, nossos números são quase inacreditáveis. O Indicador Nacional do Analfabetismo Funcional revelou que somente 26% dos brasileiros entre 16 e 64 anos são capazes de ler e entender um livro. O que quer dizer, simplesmente, que mais de 70% não o são.

E, mal maior, alguns desses 70% exercem cargos públicos, eletivos ou não, ou seja, são designados para tratar dos nossos interesses, do interesse da sociedade.

Mais triste, ainda, é não ver a luz no fim do túnel. A população está se multiplicando, a economia sendo reduzida, os camponeses estão se transferindo para as periferias das grande cidades, cresce a criminalidade, como crescem os demais problemas, trazendo-nos, em lugar da esperança, o justificado temor de que se continuarmos ao lado da Mauritânia, do Senegal e que tais, ainda estaremos fazendo um “bom negócio”. Que consolo?!

P.S. – “Ri das cicatrizes quem nunca foi ferido.” (William Shakespeare, dramaturgo inglês falecido em 1616.).