O desespero de uma mãe para provar que seu filho não tinha envolvimento com traficantes levou Telma Neves de Souza, de 43 anos, a pedir ao subprocurador de Direitos Humanos do Rio, Leonardo Chaves, a exumação do cadáver de Edson Neves Barbosa, de 16 anos, morto com um tiro pela Polícia Militar, na noite de sexta-feira, dia 4, no morro do Pinto, no Centro do Rio. "Tiraram meu filho de mim e agora o comandante diz que ele tinha envolvimento. Quero que o governo prove. Que façam o teste no cadáver para ver se ficou marca de que ele tinha uma arma nas mãos e disparou contra a polícia. Que examinem para ver se usava drogas", disse Telma ao subprocurador.

O relato impressionou o subprocurador, que disse à Telma que acreditava nela. "Conheço, pela experiência de promotor criminal a forma truculenta da política de segurança. Ainda que ele tivesse envolvimento com o tráfico, a polícia não tem o direito de matar ninguém. Não existe pena de morte no Brasil". Ele admitiu que pode pedir a exumação, embora tenha deixado claro que há outras formas de provar se o rapaz foi executado.

O comandante do 5º BPM, coronel Edvaldo Camelo, no domingo, garantiu aos jornalistas que Edson era envolvido com o tráfico. Admitiu, porém, que o tiro contra Walney pode ter sido acidental. Ele explicou que a versão que deu foi com base no que ouviu de seus policiais. Contestou ainda a versão de testemunhas: "Se o subprocurador tem quatro testemunhas eu apresento seis. Instauramos uma sindicância que vai revelar o que aconteceu".