A equipe médica que assiste o ex-presidente Jair Bolsonaro declarou, nesta sexta-feira (13), em coletiva de imprensa no hospital DF Star, em Brasília, que a intercorrência que motivou sua internação foi um evento que “quase o matou”. Os médicos manifestaram preocupação com o quadro clínico e voltaram a ressaltar a importância de o ex-presidente cumprir pena em prisão domiciliar.
“Nós já havíamos alertado nos relatórios [sobre a saúde de Bolsonaro]. Realmente, uma pneumonia aspirativa pode evoluir para uma insuficiência respiratória e, se não houver intervenção, o paciente pode evoluir ao óbito. O risco de um evento potencialmente mortal, mais uma vez, surge nestas circunstâncias”, disse o médico Claudio Birolini. Ele ponderou que, no momento, Bolsonaro encontra-se “estabilizado” e “consciente”.
Ainda de acordo com os médicos, Bolsonaro permanece internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por tempo indeterminado. “Ele ficará o tempo que for necessário”, declarou o cardiologista Leandro Echenique. O médico explicou que os calafrios relatados seriam um fenômeno clínico conhecido como “bacteremia”, que indica a presença de infecção bacteriana na corrente sanguínea.
Os médicos ressaltaram que a presente pneumonia, a terceira, seria a mais forte de todas. Para o médico Brasil Caiado, a velocidade com que a infecção evoluiu foi “assustadora”. “Se um quadro começa às 2h e, às 8h, a tomografia já mostra tal grau de comprometimento dos pulmões, é uma situação que chama muita atenção”, afirmou Caiado.
O profissional ressaltou a importância da concessão do benefício de prisão domiciliar para o quadro de Bolsonaro. “É claro que determinados ambientes, do ponto de vista do desencadeamento e do agravamento de doenças, trazem certas complicações”, afirmou.
“Em casa, tem-se uma alimentação muito mais adequada. Sabemos que a alimentação influencia no processo de refluxo. Com uma dieta controlada, sem dúvida nenhuma, o risco é menor”, concluiu.
Tratamento hospitalar para ex-presidente Bolsonaro
Bolsonaro está recebendo um tratamento de antibioticoterapia venosa e suporte clínico não invasivo enquanto permanece sob monitoramento na UTI. Após receber dois antibióticos, ele apresentou leve melhora, mas ainda relata enjoo, dor de cabeça e dores musculares típicas de infecções.
Bolsonaro está acompanhado pela esposa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), e dois policiais na porta da UTI e, posteriormente, no quarto a que for encaminhado segundo decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado ainda proibiu o ingresso de computadores, celulares ou quaisquer dispositivos eletrônicos.
Os filhos de Bolsonaro também estão autorizados a visitá-lo no hospital.
Bolsonaro está preso desde o dia 15 de janeiro nas instalações do 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como “Papudinha”, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, para cumprir a pena de 27 anos e três meses de prisão a que foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Recorrentes problemas de saúde de Bolsonaro
Bolsonaro enfrenta recorrentes problemas de saúde desde que foi esfaqueado durante a campanha eleitoral de 2018 em Juiz de Fora (MG). O atentado provocou perfurações no intestino e hemorragia interna, exigindo cirurgia de emergência e uma série de procedimentos posteriores. Ainda em 2018 e ao longo de 2019, ele passou por novas intervenções para tratar complicações decorrentes da lesão, incluindo a retirada da bolsa de colostomia e correções na parede abdominal.
Desde então, Bolsonaro registra episódios recorrentes de obstrução intestinal, hérnias e dores abdominais, problemas associados às aderências formadas após as múltiplas cirurgias no abdômen. Essas complicações levaram a diversas internações e novos procedimentos médicos nos anos seguintes, incluindo cirurgias para liberação de aderências e correção de hérnias.
