Uma cidade de 19 mil habitantes na região norte de Santa Catarina explodiu economicamente nos últimos dez anos: a atividade econômica de Garuva cresceu 528,9% no período, transformando o município em um hub logístico do Sul do Brasil.

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Garuva acumulou 800 mil m² de galpões logísticos em operação nos últimos cinco anos — com outros 500 mil m² em construção — e atraiu R$ 500 milhões em investimentos anunciados só no último ano. A empresa FLG Brazil (SP) constrói complexos de armazenagem, o fundo imobiliário Zagros comprou ativos por R$ 192,3 milhões, e mais de 2 mil novas empresas se instalaram na cidade que fica a cerca de 50 quilômetros do Porto de Itapoá, que movimentou 1,5 milhão de contêineres em 2025.

Essa conexão portuária é apenas um dos elementos que compõem esse salto de desenvolvimento econômico e que reflete uma localização estratégica: Garuva está na divisa com o estado do Paraná, cortada pelas rodovias BR-101, SC-417 e SC-416, com conexões às cidades de Joinville (SC), Curitiba (PR) e Navegantes (SC). “Nos últimos anos, o município registra uma transformação econômica expressiva”, resume Rodrigo Adriany David, chefe de Gabinete da prefeitura.

As evidências estão em diversos indicadores: PIB per capita acima da média para a região e saldo positivo na geração de empregos formais. O Ranking de Empreendedorismo da Caravela 2025 – que aponta possibilidades de investimentos a empreendedores – posiciona o município no 430º lugar entre as melhores cidades do país para fechamento de negócios, em um universo de 5,5 mil municípios. É este levantamento que evidencia o crescimento da atividade econômica em 528,9% em dez anos; 206,6% nos últimos cinco.

Garuva se firma como hub logístico de Santa Catarina

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A vocação logística de Garuva impulsiona a sua economia. Nos últimos cinco anos, a cidade acumulou cerca de 800 mil metros quadrados em operação de galpões logísticos, além de outros 500 mil em construção, de acordo com a prefeitura do município. O volume reforça a conexão com pontos estratégicos de escoamento em um raio de 100 quilômetros.

A movimentação econômica no setor envolve cifras milionárias. Em março, o fundo imobiliário Zagros Renda Imobiliária (GGRC11) anunciou na cidade a aquisição de um ativo no condomínio Braspark. A operação alcança R$ 192,3 milhões.

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No ano passado, a empresa FLG Brazil, de São Paulo, fez anúncio de investimento de R$ 500 milhões na construção de galpões logísticos e industriais em Garuva. Os projetos incluem estruturas modernas para armazenagem e pátios reforçados para contêineres.

De acordo com a prefeitura de Garuva, o desempenho portuário em Itapoá sustenta esse avanço. O porto da cidade vizinha movimentou 1,5 milhão de TEUs (contêiner padrão de 20 pés – 6,1 metros de comprimento) em 2025. Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o terminal ocupa a terceira posição entre os maiores portos do país e lidera em Santa Catarina.

Cidade catarinense registra crescimento populacional e avanço no mercado de trabalho

Há 30 anos, Garuva registrava 8,8 mil habitantes, número de teve um crescimento de 111,6% desde então. O mercado de trabalho acompanha o crescimento populacional, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), levantamento mensal do Ministério do Trabalho e Emprego.

Entre janeiro e fevereiro de 2026, Garuva registrou 853 admissões formais e 730 desligamentos. O saldo positivo soma 123 vagas, superior ao resultado do mesmo período do ano anterior, que apresentou saldo negativo de 10 postos de trabalho. O mercado formal reúne 5,1 mil empregos com carteira assinada.

A função mais comum é alimentador de linha de produção, com 714 trabalhadores. Em seguida aparecem motorista de caminhão, com 436, e assistente administrativo, com 195. A remuneração média dos trabalhadores formais é de R$ 3,1 mil, valor que fica abaixo da média estadual, de R$ 3,3 mil.

Entre os setores, a administração pública também é destaque, com 564 empregos. A fabricação de máquinas e aparelhos de refrigeração e ventilação soma 455 postos. O transporte intermunicipal de carga registra 413 trabalhadores.

Para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Garuva, o crescimento das vagas de emprego fica concentrado em funções operacionais, com baixa presença de cargos técnicos e estratégicos. Segundo a entidade, esse perfil impacta a média salarial e limita as oportunidades de progressão profissional.

“O desafio agora não é apenas continuar crescendo, mas crescer com qualidade: investindo em qualificação, diversificação das oportunidades e valorização da mão de obra”, afirma Ingwaldo Krutzsch, presidente da Câmara de Lojistas.

Associação empresarial aponta falta de mão de obra em Garuva

Garuva registou a abertura de 73 novas empresas no último ano. Até março de 2026, o município contabilizou cinco novos registros. O Produto Interno Bruto (PIB) municipal alcança aproximadamente R$ 2 bilhões, com a indústria respondendo por 57,1% do valor, seguida por serviços (32,9%), administração pública (7,3%) e agropecuária (2,7%).

O PIB per capita de Garuva atinge R$ 106,9 mil, valor que supera a média estadual, de R$ 67,5 mil, e a média da região de Joinville, de R$ 80 mil. “Garuva deixou de ser uma cidade apenas de agricultura, do cultivo da banana, e agora figura como uma cidade industrial e logística. Hoje falamos que não é só mão de obra qualificada, mas todos os níveis de mão de obra que precisamos”, afirma o presidente da Associação Empresarial de Garuva, Weber Pereira dos Santos.

Além do setor logístico, Garuva avança nos empreendimentos imobiliários de turismo e lazer. A atuação de urbanizadoras amplia esse crescimento. Um exemplo é o condomínio resort do qual o apresentador de TV Carlos Roberto Massa, o Ratinho, é um dos investidores.

A procura pelo empreendimento da urbanizadora ABecker, o Mirante da Serra, já vendeu mais da metade dos terrenos disponíveis. O projeto destinou 9 mil metros quadrados para áreas de convivência, lazer e esportes e prevê a construção de hotel, mirante e restaurante.

O empreendimento reúne 207 lotes, com metragens entre 300 e 500 metros quadrados, às margens do Rio São João. “O mercado absorve rapidamente projetos que unem privacidade à infraestrutura fechada. A demanda por áreas ligadas à natureza com infraestrutura de resort impulsiona a valorização de condomínios. Garuva é um potencial para isso”, afirma o diretor-executivo da ABecker, Anderson Becker.