A Corte Especial Administrativa do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) decidiu nesta quinta-feira (27) punir o juiz Eduardo Appio, acusado de furtar duas garrafas de champanhe, com perda do cargo, sem o pagamento de salários. Foram 14 votos a 2.
A decisão será enviada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que deve decidir se confirma ou não a perda do cargo. A informação foi revelada pelo blog de Fausto Macedo, do jornal Estado de São Paulo e confirmada pela Gazeta do Povo com uma fonte do órgão.
Por meio de nota, Appio classificou a decisão como “injusta e desproporcional” e disse que confia em uma reversão. “São 32 anos de dedicação ao serviço público honesto, sem um único dia de licença”, pontuou.
A Corte especial é composta por 16 desembargadores federais, incluindo o presidente do tribunal, o vice-presidente, o corregedor regional e magistrados com mais tempo de carreira.
Relembre o caso
Em outubro de 2025, o TRF4 abriu um processo administrativo disciplinar (PAD) para apurar a acusação de furto de duas garrafas de champanhe Moët & Chandon, avaliadas em R$ 540 cada, em um supermercado de Blumenau (SC).
Na ocasião, Appio considerou a acusação um “mal-entendido”, disse que seria alvo de “várias perseguições” e que entraria com ações de reparação. Ele foi afastado do cargo em novembro de 2025.
Appio ficou à frente da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), responsável pelos processos da Operação Lava Jato, por cerca de três meses, em 2023. No mesmo ano, o magistrado foi suspenso do cargo após ser apontado como envolvido em um telefonema anônimo com ameaças ao filho do desembargador Marcelo Malucelli, integrante do TRF4.
A Gazeta do Povo entrou em contato com Appio e com o TRF4, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
