Em meio aos parreirais de Pilar do Sul, no interior paulista, uma variedade de uva passou a se destacar pelo tamanho incomum dos frutos e pelo sabor mais adocicado do que o encontrado nas versões tradicionais. A chamada pilar moscato virou símbolo da produção local e uma das principais apostas da Cooperativa Paulista de Produtores de Caqui (APPC).

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A fruta surgiu após testes realizados na área experimental da cooperativa. Segundo o coordenador de marketing da APPC, Tamon Alan Morioka, a variedade apareceu depois da chegada de um pesquisador japonês ao município. “Ele trouxe mudas do Japão e com a polinização cruzada, ela [a uva] conseguiu se adequar ao clima do Brasil, como uma nova variedade”, afirma Morioka.

A polinização cruzada ocorre quando o pólen de uma flor alcança outra flor, com ajuda de fatores externos. O processo favorece novas combinações genéticas e pode gerar plantas com características diferentes das variedades originais.

Pilar do Sul é destaque em feira agrícola e conquista mercado internacional

Os produtores começaram a cultivar a pilar moscato em 2008 e, três anos depois, teve início a comercialização. Desde então, a produção avançou para atendimento do mercado internacional.

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“É uma produção exclusiva. Além da forte presença no mercado brasileiro, a pilar moscato também segue para o exterior, com exportações destinadas ao Canadá, países da Europa, Ásia e Emirados Árabes Unidos”, informa.

De acordo com Morioka, são 80 hectares de área plantada com a variedade e 60 mil videiras, com uma produção de 800 toneladas por ano. A safra anual ocorre entre janeiro e abril. Durante esse período, produtores levam os cachos para avaliação na Feira de Exposição Agropecuária de Pilar do Sul (Feaps), que premia os melhores exemplares da temporada.

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“Por ser uma variedade única, ela participa de uma categoria separada. Neste ano, um cooperado conquistou o primeiro lugar após avaliações de critérios como aparência, qualidade do cacho, padronização e sabor”, acrescenta Morioka.

Apenas parte da safra atinge padrão exigido da pilar moscato

A classificação da fruta exige uma seleção rigorosa. Nem toda a safra consegue atingir os critérios estabelecidos pela cooperativa. Entre os principais fatores avaliados estão o tamanho dos frutos e o índice Brix, escala utilizada para medir a concentração de açúcar.

“Nós só colhemos a pilar moscato quando ela atinge 18% de Brix. Em variedades tradicionais, como a uva Itália, o índice costuma ficar em 14%. A diferença é significativa. Em uma medição feita com cana-de-açúcar, o resultado apontou 16%. Ou seja, a pilar moscato apresentou teor de açúcar ainda maior”, ressalta. “O tamanho também segue um critério rígido. Apenas frutos acima de 24 milímetros recebem a classificação oficial de pilar moscato”, detalha Morioka.

Segundo a cooperativa, apenas de 20% a 30% de toda a produção anual recebe a classificação oficial de pilar moscato. As demais frutas seguem para outras linhas da cooperativa.

“Nós trabalhamos com diferentes linhas de comercialização. Uma delas é a ‘doce natural’, que apresenta índice Brix de 16%. Algumas uvas não atingem os 24 milímetros exigidos pela pilar moscato, mas mantêm excelente padrão de doçura. Nesses casos, nós comercializamos a fruta como moscatinho”, explica Morioka.

Preço da pilar moscato já superou R$ 200

A exclusividade da produção e o processo seletivo rigoroso influenciaram diretamente o preço da fruta nos últimos anos. Em alguns períodos, o quilo ultrapassou R$ 200. Atualmente, os valores variam entre R$ 40 e R$ 60.

“Ultimamente, os preços não alcançam mais os patamares de antes. Nós também percebemos uma queda no poder de compra dos consumidores. O valor muda conforme cada região e foge do nosso controle”, disse.

Em Curitiba ela é difícil de se encontrar, mas aparece com frequência no Mercado Municipal, algumas frutarias “gourmet” e até em lojas de supermercados, como na rede Festval.