Saúde

Anvisa aperta o cerco contra ‘canetas emagrecedoras’ e avalia bloqueio de manipulação

Imagem mostra uma pessoa aplicando uma caneta emagrecedora.
Foto: Reprodução/Frepik

A Anvisa discute esta semana novas regras para medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, usados no tratamento de obesidade e diabetes. A popularização desses remédios ampliou o uso sem orientação médica e o mercado ilegal, incluindo versões manipuladas sem autorização. A agência vem tomando medidas para coibir o comércio irregular e garantir a segurança dos pacientes.

O que são as canetas emagrecedoras e como funcionam?

São medicamentos injetáveis com princípios ativos como semaglutida, tirzepatida e liraglutida. Eles atuam de três formas: controlam a glicose, retardam o esvaziamento do estômago e reduzem o apetite no cérebro. Com isso, promovem perda de peso que pode chegar a 15% ou 25%, dependendo do medicamento e do acompanhamento médico adequado.

Por que especialistas estão preocupados com o uso desses remédios?

Dados da Anvisa mostram que foram importados mais de 100 quilos de insumos no segundo semestre de 2025, suficientes para 20 milhões de doses. A agência apreendeu 1,3 milhão de medicamentos irregulares. O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia alerta que o consumo sem prescrição médica e de fontes ilegais aumenta muito os riscos à saúde.

Quais são os principais riscos do uso indiscriminado?

Os efeitos colaterais mais comuns são náuseas e vômitos, que ocorrem em 30% a 40% dos casos. O risco mais grave é a pancreatite, inflamação do pâncreas que causa dor abdominal intensa. Isso acontece porque o medicamento retarda o esvaziamento da vesícula biliar, facilitando a formação de cálculos. Produtos irregulares, mal armazenados ou transportados aumentam muito esses perigos.

Como usar esses medicamentos com segurança?

Médicos recomendam quatro pilares: usar produto legal com registro no Brasil, ter prescrição e acompanhamento médico, comprar apenas em farmácias confiáveis e seguir as doses corretas. Nunca compre em mercados paralelos. Se sentir dor abdominal forte que não melhora, procure atendimento médico imediatamente, pois pode ser sinal de pancreatite.

Que medidas estão sendo tomadas para controlar o problema?

Desde junho de 2024, farmácias retêm as receitas desses medicamentos. A Anvisa, o Conselho Federal de Medicina, de Odontologia e de Farmácia assinaram carta para promover uso racional e seguro. Especialistas defendem até o bloqueio temporário da manipulação desses remédios por três a seis meses, até que haja estrutura suficiente para fiscalizar o mercado.

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