Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de horas pagas na indústria cresceu 0,4% entre o terceiro e o quarto trimestres de 2005, descontando as diferenças sazonais entre os dois períodos, depois de três trimestres consecutivos de variação nula ou negativa.

Para Júlio Sérgio Gomes de Almeida, diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), isso é sinal de que a desaceleração no ritmo das contratações do setor, iniciada na segunda metade do ano passado, tende a acabar em breve.

"Quando os negócios começam a reagir, mas não há ainda certeza se essa recuperação será duradoura, as empresas geralmente recorrem primeiro à hora extra para evitar o custo de contratação e demissão, que é muito alto", diz Almeida. Depois, prossegue Almeida, fazem contratações temporárias, com salários mais baixos, ou até informais. "Só quando não têm mais dúvidas é que partem para contratações com carteira assinada e salários mais altos."

O diretor do Iedi ressalva que o aumento nas horas pagas reflete ainda o adiamento que ocorreu nas encomendas do varejo para o Natal de 2004.

Com fábrica em Jundiaí (SP), a Castelo Alimentos, produtora de vinagre, molhos de salada e conservas, ampliou de forma significativa o número de horas trabalhadas em dezembro. "Tivemos de criar um banco de horas", diz o diretor-superintendente, Marcelo Cereser.

A partir de março, a empresa passará a trabalhar com um terceiro turno no setor de molhos. Para isso, começou a recrutar oito trabalhadores. Hoje, a Castelo emprega 146 pessoas. "Não conseguimos esticar mais as horas extras para atender à demanda no setor", afirma.

Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Dieese, acredita que o aumento nas horas pagas deve se reverter na criação de vagas em breve.