O Festival Molière do Teatro Lala Schneider está sendo um absoluto sucesso de público, o que comprova mais uma vez o interesse despertado por esse gênio da dramaturgia universal. Encerrando o festival, estréia nesse final de semana o último espetáculo da série: O Mèdico À Força. A comédia traz à tona temas como a vingança e o charlatanismo, a partir de uma intrincada teia de relações entre os personagens. A trama se desenrola a partir de um ato vingativo da mulher do lenhador Sganarelo, que pensava estar a constranger seu marido ao fazê-lo passar por médico para curar a suposta mudez da filha de seus vizinhos. Sganarelo acaba se interessando pela farsa ao ver que poderia ganhar dinheiro com a situação. O que ele e os demais personagens não esperavam é de que uma farsa ainda maior estava sendo articulada. Lucinda se passava por muda apenas para sensibilizar o pai, Geronte, que proibira seu casamento com o namorado Leandro. E a partir daí, muita confusão pela frente.

Quando, em 1660, Moliere apareceu no papel de Sganarelo, em Sganarelo ou O Cornudo Imaginário, a reação do público foi quase convulsa. Do começo ao fim da encenação, Moliere teve que interromper várias vezes as falas para esperar o público rir. Esse fato fez com que Sganarelo se tornasse seu personagem predileto e ressurgisse em várias obras posteriores: Escola de Maridos, O Casamento Forçado, Don Juan, O Amor Médico e Médico à Força. Variando de caráter em cada novo texto do autor,  Sganarelo aparece como a personagem representativa de uma burguesia de mente estreita, medrosa diante de qualquer mudança, defensora incondicional dos valores estabelecidos.

A moral das aparências não poderia permitir que o personagem fosse retratado como um ser de carne e osso sujeito a contradições humanas e mesmo filosóficas. Ele deveria ser mostrado como um homem apenas desprezível ? e quem fizesse o contrário merecia punição.  Moliere foi punido, justamente por apresentar um personagem fruto das convenções morais de uma época onde ninguém queria se ver tão decadente quanto de fato era.

Médico à Força é mais uma incursão mordaz na sociedade, extraindo dela uma fatia muito especial para sua cômica análise: a classe médica.

Moliere fincou no século XVII  o marco de uma implacável devassa na moral e nos costumes, e deixou, na história do teatro mundial, o gosto feliz de uma comédia extraordinariamente bem feita.

A peça fica em cartaz sempre aos sábados e domingos às 18h30, até o dia 09 de setembro, encerrando o festival Molière

Serviço:
O Médico à Força
Texto de Molière e direção de Wellington. Um lenhador se faz passar por médico para obter vantagens financeiras de uma família. A peça encerra o festival Molière. Com: Elom Fagundes, Vital Cassol, Thais Diniz, Raquel Queiroz, Fabiano Zangiski, Caio Lopes, Luiz Borguezam, Julia Didio, Bárbara de Melo, Gabriela Rocha, Thalles Fontana, Suellen Koch, Eduardo Antero, Melissa Maia, Josiane Larger, Letícia Lemos, Janaína Ferreira, Selma Fausto e Camila Leite. Em cartaz até o dia 09 de setembro, sempre aos sábados e domingos às 18h30, no Teatro Lala Schneider ? Rua 13 de maio, 629 ? Fone: 3232-8108 ? www.teatrolala.com