Ser da periferia é algo que nunca foi um problema para Anitta, que sempre que pode faz questão de dizer que é de Honório Gurgel, um bairro do Rio de Janeiro. Com quase 10 anos de carreira, a cantora acabou sendo não só uma referência na estruturação de sua vida profissional, como também um grande exemplo para as pessoas que, assim como ela, são da periferia. E, no último fim de semana, quando fez duas apresentações em Curitiba, Anitta mostrou que não nega mesmo suas raízes, levando mil crianças carentes ao Teatro Positivo para assistir ao seu espetáculo de graça, em uma edição do Show das Poderosinhas na capital paranaense.

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Uma das apresentações foi no Teatro Positivo e contou com a participação de crianças carentes na plateia. Foto: Hedeson Alves/Tribuna do Paraná
Uma das apresentações foi no Teatro Positivo e contou com a participação de crianças carentes na plateia. Foto: Hedeson Alves/Tribuna do Paraná

À Tribuna do Paraná, a cantora disse que a ideia de agregar um cunho solidário a seu show, permitindo que as pessoas que não possam pagar assistam de graça, era antiga e poder colocar essa ação em prática tornou a apresentação em Curitiba ainda mais especial. “Com certeza, torna ainda mais incrível. Fiquei muito feliz quando me falaram que seria possível, espero que as crianças tenham um momento incrível e que não esqueçam nunca mais”, comentou Anitta.

Referência sempre quando o assunto é superação, já que ela começou literalmente do zero e construiu uma carreira sólida não só no Brasil, mas também no exterior, Anitta é vista como um exemplo para as crianças que estavam presentes. “Assim como a gente, ela também veio da periferia. Ela começou lá de baixo como todo mundo e hoje é internacional. Representa a gente, nosso país, as mulheres e é pra mim uma referência de profissional mesmo”, disse Gabriele Cardoso, 14 anos.

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Gabriele foi uma dos menores atendidos pela instituição Arte e Vida que ganharam ingressos. Foto: Hedeson Alves/Tribuna do Paraná
Gabriele foi uma dos menores atendidos pela instituição Arte e Vida que ganharam ingressos. Foto: Hedeson Alves/Tribuna do Paraná

A adolescente, que mora no bairro Tatuquara, só conseguiu ir ao show por fazer parte do projeto Arte e Vida, que cuida de crianças carentes da região e que ganhou 70 convites. “Acompanho desde o começo e queria muito ir em um dos dois shows que ela faria aqui, mas não tinha condição. Por fim, acabei ganhando o ingresso, nem acreditei quando me disseram”, comentou Gabriele, que disse se sentir emocionada em ver o quanto Anitta conquistou. “Me emociona lembrar, porque quando ouvi a primeira música dela, já estava crescendo. Agora ver cantar em outras línguas, viajar o mundo inteiro, isso serve sim como exemplo pra gente. Quando eu crescer quero conquistar tudo que ela já conquistou”.

Sirlene Rodrigues Moreira, 46 anos, a coordenadora do projeto Arte e Vida, disse que foi uma sensação única poder ver a felicidade das crianças com o ingresso do show. “Ficaram muito felizes com a oportunidade, pois é uma coisa que eles não têm, são carentes. Nunca nem imaginaram ver a Anitta um dia. Fazemos um trabalho social e isso é muito importante na vida deles. Todos eles têm sonhos e avalio que a Anitta os inspira muito por tudo que ela conquistou realmente”.

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Sirlene considera uma oportunidade única a que tiveram 'suas crianças' da instituição Arte e Voda. Foto: Hedeson Alves/Tribuna do Paraná
Sirlene considera uma oportunidade única a que tiveram ‘suas crianças’ da instituição Arte e Voda. Foto: Hedeson Alves/Tribuna do Paraná

Quebrando paradigmas

Desde quando estourou, Anitta tem seguido uma rotina maluca e cansativa. Apesar disso, em Curitiba, por exemplo, se tornou tradição fazer dois shows todos os anos. “Tenho seguido uma rotina muito maluca, com muita coisa para fazer e vamos assim até o fim do ano. Mas essa dobradinha em Curitiba já virou uma tradição, show para adultos num dia e para as crianças no outro. Os pequenos ficam querendo quando venho, então acaba separando os públicos e cada show a gente tira o melhor proveito possível, por isso que faz tanto sentido e fica tão legal”.

Recentemente, a cantora se apresentou pela primeira vez no Rock In Rio e levou, ao palco principal do festival, um pouco do funk para o mundo. Independente do trabalho que se faz, é perceptível que nem sempre os artistas nacionais são valorizados como os internacionais, mas Anitta dispara que é preciso que os próprios artistas se valorizem. “Acho que a gente tem que se valorizar e não dar atenção para essas coisas, porque se a gente focar nisso, a gente não cresce, não evolui nunca. Por mais que seja uma verdade, é melhor a gente focar e seguir em frente sem pensar nesse lado”.

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Ainda no Rock In Rio, após agradecer aos fãs, que a fizeram chegar onde chegou hoje, Anitta também agradeceu a ela mesma, levantando a bandeira da importância de o artista olhar para ele mesmo. E ela disse à Tribuna do Paraná que já teve vontade de desistir. “Várias vezes. Quando acontecem coisas que vão contra a nossa vontade ou muitas coisas em sequência, a gente acaba pensando nisso, em desistir. E foi por isso eu agradeci a mim. Algumas vezes eu tenho essa vontade, porque a gente que é artista está sempre sendo cobrado por agradecer muito a todo mundo. E quem agradece a gente? Por mais que a gente tenha os fãs que estão o tempo todo nos agradecendo e isso é incrível, acho importante a gente agradecer a nós mesmos, para manter a nossa chama da força de vontade acesa”.

Confira a entrevista completa:

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