A Cor do Som está fora do
mercado desde 1987.

Rio – A Cor do Som está de volta. Fora do ar desde 1987 com apenas um rápido revival em 1994, o grupo pioneiro em fusões musicais de rock progressivo e ritmos brasileiros, vem reclamar seu legado nos anos 80s com um CD/DVD acústico gravado ontem no Canecão com participações especiais de Moraes e Davi Moreira, Daniella Mercury e Marisa Monte.

Armandinho Macedo (cordas), Dadi Carvalho (baixo e violão), Ary Dias (percussão), Gustavo (bateria) e Mu Carvalho (teclados) se reúnem pela primeira vez desde 1994 com uma grande vontade de ficar. A primeira etapa aconteceu por duas semanas no estúdio Verde no Rio, quando se reentrosaram, repassando o repertório antigo e quatro novas canções, tempo insuficiente para resgatar a unidade do grupo. Se não gravassem agora, a volta ficaria só para o ano que vem.

Como todos fazem mil coisas, acharam melhor encarar agora e confiar na experiência de cada um, todos cinqüentões, ou quase, no caso de Mu, com 30 anos de estrada nas costas. Há uns três meses, Armandinho foi chamado por Dadi para fazer uma participação no show da banda instrumental Bom de Som, do filho de Dadi, André (bateria).

?A gente comentou que as pessoas estavam sempre perguntando pela Cor do Som?, diz Dadi, e Armandinho emenda: ?A gente fica com saudade do que viveu, não separamos por briga, foram várias coisas que levaram ao desencontro principalmente?, diz ele, referindo-se a uma confusão acontecida em 1982 quando saiu da banda por discordar de exigências de empresários e da gravadora para deixar de lado o trio elétrico de Dodô e Osmar (este, seu pai) e se dedicar só à Cor. Armandinho pediu as contas e foi substituído por Victor Biglione e, depois, por Perinho Santana até a Cor acabar, em 1987.

No show-gravação, eles vão resgatar sucessos como Moleque sacana, Zanzibar, Beleza pura, Palco, Abri a porta, Alto astral e outras, além das inéditas Oxalá (Armandinho e Fausto Nilo), O mundo já passou do fim do mundo, o fim do mundo já passou do fim (Dadi e Arnaldo Antunes), Na beira do mar (Mu e Márcio Tucunduva) e Tocar (Ary e Carlinhos Brown). E ainda uma versão de Noites cariocas, de Jacó do Bandolim.

?No nosso terceiro disco (Frutificar, de 1979) fizemos uma homenagem ao Jacó com Assanhado, muito bem recebido pela turma do chorinho. E agora estamos renovando a homenagem com Noites cariocas. O instrumental é muito importante dentro do som da gente e isso influenciou muita gente nova que atua hoje, eu vejo os meninos falando dessas gravações que a gente fazia? diz Armandinho. E ainda Pingos de chuva, uma homenagem aos Novos Baianos. Eles eram acompanhados pela Cor do Som, que depois passou a acompanhar Moraes Moreira, até ganhar vida própria.

Os cinco não estão preocupados se o som do grupo se encaixa nas sonoridades que rolam atualmente na música brasileira. De início, vão trabalhar num ambiente acústico com o DVD e a excursão que durará no mínimo um ano, depois é que pensarão numa eventual reformatação sonora.

?Não estamos nem um pouco preocupados com isso, hoje em dia está valendo tudo. Nós estamos fazendo nosso som aqui, se você faz uma coisa que você gosta e acredita, vai ter uma galera que vai gostar. Não tem essa de modernismo nem de saudosismo, a gente está fazendo o que sabe. Achamos importante reafirmar o que fizemos e, para os próximos discos, pode existir realmente o compromisso de um trabalho novo. Hoje em dia estão revendo muito a geração 80, nada tem de novidade na música brasileira, está aí quem já estava. É o momento propício?, dizem Dadi, Mu e Armandinho.