Pela primeira vez será encenada no Brasil a peça Parasitas de Marius von Mayenburg ? um dos mais importantes e premiados autores da cena teatral alemã na atualidade. O texto ? com tradução de Cristine Röhrig ? foi escolhido pela Companhia Silenciosa e faz parte da Coletiva de Teatro ? Entre a Cena e a Escrita, evento do Fringe que acontece no ACT ? Ateliê de Criação Teatral (R. Paulo Graeser Sobrinho, 305), a partir da próxima terça-feira, dia 21 de março, às 19 horas. A montagem aborda o tema das relações humanas, com cinco personagens expondo de maneira cruel e irônica as dificuldades afetivas na sociedade moderna.

O diretor da peça, Henrique Saidel, conta que esta é a quarta participação da Companhia Silenciosa no Festival de Teatro de Curitiba e, ao contrário das outras edições, não vão trabalhar com texto próprio. ?Dessa vez buscamos um trabalho que já estivesse pronto, que tivesse uma linguagem contemporânea e fosse de encontro com a proposta do nosso grupo?. Parasitas foi paixão a primeira vista.

O enredo apresenta dois casais em crise ? um paraplégico e sua esposa (Ringo e Betsi), a irmã mais nova dela (Friderike), grávida de um jovem indiferente e obcecado por cobras (Petrik) – e um velho solitário (Multscher), responsável pelo acidente de carro que causou a invalidez de Ringo. Em pauta a decadência das relações onde os personagens buscam o sofrimento do outro como forma de validação do próprio sofrimento. ?O texto apresenta elementos delicados como idade, relações familiares, impossibilidades físicas… assuntos difíceis que são colocados de forma crua. Palavras que normalmente pensamos mas evitamos falar?, define Saidel.

De fato, no decorrer da peça trava-se entre os personagens um verdadeiro duelo verbal. E medir a dosagem entre a agilidade do texto e a ironia ácida do que é dito foi o principal desafio da montagem paranaense. ?O texto pede uma agilidade e nossa encenação entendeu isso sem virar uma correria. Nas entrelinhas do texto é preciso analisar as palavras que não são ditas. No final, há um pouco de riso cruel que se transforma em riso nervoso ao percebermos que estamos nos divertindo com a desgraça do outro. Trabalhar essas sensações me interessa?, confessa o diretor.

Parasitas é a terceira peça de Marius von Mayenburg montada no Brasil. Antes, foram apresentadas em São Paulo: Cara de Fogo e Senhorita Dancer ? a primeira foi superpremiada (prêmio Kleist e prêmio da Fundação dos Autores de Frankfurt) e elevou Mayenburg, hoje com apenas 33 anos, a condição de dramaturgo residente na Schaubühne (um dos teatros mais importantes da Alemanha na pesquisa contemporânea). A tradução para o português utilizada na montagem é de Christine Roehrig, tradutora de diversos autores de língua alemã, como Heiner Müller e Brecht. A encenação foi apoiada pelo Instituto Goethe que ajudou na burocrática tarefa dos direitos autorais.

A Companhia Silenciosa, com sede em Curitiba, Paraná, foi fundada em início de 2002 por Henrique Saidel, Giorgia Conceição, Léo Glück, Ana Cristine Wegner, Fábia Regina e Ciliane Vendruscolo. Desde então, a linha de pesquisa e produção da Companhia Silenciosa transita pelas artes cênicas contemporâneas. Trabalhos nos quais a visualidade e a relação arte/público são tão importantes quanto a dramaturgia. A tensão entre dito e não dito, visto e não visto, mostrado e não mostrado, construção e desconstrução, geram a atmosfera artística Silenciosa.

Nos últimos três anos, a Companhia Silenciosa participou de diversos eventos importantes no cenário teatral brasileiro. A direção geral do espetáculo é de Henrique Saidel. O elenco é formado por Altamar Cezar (Multscher), Rafaella Marques (Betsi), Luciano Kampf (Ringo), Cleydson Nascimento (Petrik), Nina Rosa (espírito da Alemanha que Chora) e Ana Ferreira (Friderike).

Serviço
Parasitas de Marius von Mayenburg, com a Companhia Silenciosa.
Estréia terça-feira, dia 21, no ACT ? Ateliê de Criação Teatral (R. Paulo Graeser Sobrinho, 305).
Apresentações de terça a sábado, sempre às 19h.
Ingressos R$14 e R$7 (meia-entrada).
Informações (41) 3338-0450