Assim como a maioria dos atores que trabalham na TV Cultura, Álvaro Petersen tem uma dedicação especial ao público infantil. Na emissora há 25 anos, ele iniciou sua carreira na televisão no programa “Bambalalão”. Também já deu vida à cobra Celeste e ao Godofredo – personagens do “Castelo Rá-Tim-Bum” – à índia Oriba, ao indecifrável bichinho Dito e a vovó do Julio, do programa “Cocoricó”. Petersen agora se dirige ao público adulto ao lançar “Sibipiruna”, seu primeiro disco, com letras para balançar o esqueleto, mas também para expressar melancolia, com os sopros de Bocato (trombone), Sergio Lyra (sax) e Claudio Faria (Trompete). O ritmo fica com o percussionista Edmundo Carneiro, com Jean Trad na guitarra, Rubem Farias no contrabaixo, tudo girando ao redor da voz de Petersen.

O show de pré-lançamento do disco será nesta quinta-feira, dia 19, no Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo. O ator e músico pretende também lançar o disco em outubro no Favela Chic, em Paris. O lançamento do trabalho agora não tem qualquer relação com a crise pela qual passa a TV Cultura. Petersen sempre esteve ligado à música e chegou a ser parceiro de Kiko Zambianchi quando ambos moravam em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, antes de o autor de “Primeiros Erros” conquistar projeção nacional. Mas antes de atuar, Petersen ainda cursou arquitetura e acabou deixando em segundo plano suas músicas.

Mas, na década de 90, o grupo HeartBreakers gravou “Sereia”, na voz de Hamilton Moreno, uma das músicas de Petersen que estará no disco. “É agora ou nunca”, diz, ao tomar a iniciativa de gravar o disco. “Toquei em casa de amigos, mas nunca havia colocado a cara para bater.” “Sibipiruna”, que também é uma das 11 músicas do disco, nasceu quando ele estava passeando em Maceió na década de 80 e bateu aquela saudade de casa, em Ribeirão Preto. Em frente à residência da família, há até hoje essa árvore, cujas flores amarelas e pequenas entopem os ralos de garagens, colorem calçadas. “Sibipirinuna é uma flor da árvore da minha terra e a minha casa mora em frente dela”, canta.

Apesar de se dirigir agora ao público adulto, Petersen considera que há sim alguns traços em comum do seu trabalho com o público infantil. “Se pensar que a criança se permite mergulhar nas emoções, sem as barreiras dos adultos, é possível pensar nesse lado lúdico no meu trabalho. Minha música balança o esqueleto sim, mas é também melancólica, que é uma palavra que parece hoje proibida. Muito da música hoje tem essa coisa de ‘vamos erguer as mãos prá cima!!!!'”, brinca. Três músicas do disco podem ser conferias no site: http://www.myspace.com/alvaropetersen.

Lançamento – Disco “Sibipiruna”, de Álvaro Petersen. Centro Cultural Rio Verde (Rua Belmiro Braga, 181, Vila Madalena). Quinta-feira, dia 19. 21h30. R$ 15.