O técnico Roberto Cavalo não consegue encontrar justificativas, mas é inegável a empatia do treinador com o Paraná Clube. Pela segunda vez contratado sob a missão de evitar a queda para a Terceirona, o treinador consegue não apenas o objetivo, mas ainda tira alguns “coelhos da cartola” e faz o Tricolor sonhar com um final de ano menos amargo.

“Acho que esse ambiente de Curitiba me faz bem”, diz o treinador, um fiel defensor do futebol “do Sul”. Nas horas vagas, sempre encontra um tempinho para observar as equipes gaúchas e catarinenses nas diversas divisões do futebol brasileiro. “Temos um futebol mais organizado e seria bom que todos obtivessem sucesso”, comenta o treinador, que ficou decepcionado com as eliminações de Chapecoense (Série C) e Joinville (na D).

Se o trabalho de Roberto Cavalo faz bem ao Paraná, o clube tem efeito similar no currículo do treinador. Após um desempenho marcante na reta final da Série B, no ano passado, o técnico aventurou-se por dois novos territórios, com resultados muito ruins.

No Mixto, iniciou um projeto que visava a redenção do clube matogrossense. Não decolou. Foram apenas seis jogos (quatro empates e duas derrotas) e a demissão veio logo após a primeira fase do estadual, no início de março.

Nova chance, somente no final de julho, quando foi chamado para “apagar o incêndio” no Vila Nova. O time goiano não conseguia sair da ZR da Série B…e assim continuou.

Roberto Cavalo só esteve à frente do clube (que agora reagiu, com Ademir Fonseca) por seis jogos – com uma vitória, um empate e quatro derrotas. “Felizmente surgiu a oportunidade de voltar ao Paraná. E espero não sair daqui tão cedo”, diz o treinador, já insinuando uma renovação para a temporada 2011.

Após “penar” no Mato Grosso e em Goiás, Roberto Cavalo voltou reconhecendo que no ano passado “errou” ao não renovar com o Paraná. “Fiz uma proposta que estava muito além do que o clube podia pagar. Acho que foi na empolgação pela campanha. Quis me valorizar demais”, admitiu o técnico. “Hoje, podem ter certeza, a conversa será diferente”.

Cavalo não se cansa de repetir a necessidade do Paraná se preparar para 2011. “É preciso ter planejamento, um projeto compatível com as necessidades do clube”, comentou o treinador.

“É claro que, hoje, me vejo incluído nesse processo. A não ser que a diretoria não queira”, arrematou Roberto Cavalo. O treinador, após o empate com o Coritiba, atingiu a marca de quinze jogos (entre 2009 e 2010) de invencibilidade à frente do Tricolor.