O Paraná perdeu mais um patrimônio importante. O CT Ninho da Gralha, em Quatro Barras, passa a pertencer, a partir de agora, ao empresário e ex-parceiro do clube, Carlos Werner. O acordo já foi homologado pela Justiça do Trabalho, mas o Tricolor terá direito a usar o espaço por mais cinco anos sem precisar pagar aluguel ao ex-mecenas.

Ao todo, Werner moveu cinco ações cíveis contra o time, por conta de empréstimos realizados entre os anos de 2014 e 2017. Na ocasião, o empresário cedia as quantias para o pagamento de dívidas, sobretudo para tentar manter a folha salarial em dia. No ano retrasado, essa ajuda foi essencial para que o Paraná pudesse ter uma campanha regular para conseguir o acesso à primeira divisão.

Não se sabe de fato qual foi a quantia repassada por ele ao clube nesse período. De acordo com o despacho da Justiça do Trabalho, o acordo realizado foi para o pagamento de R$ 28 milhões ao empresário. A negociação aconteceu de acordo com o Ato Trabalhista, firmado entre o Tricolor e a Justiça para o repasse de 20% da sua receita obtida para o pagamento de dívidas.

O ato foi assinado em março do ano passado e tem conseguido, aos poucos, acabar com as dívidas trabalhistas paranistas. Graças a ele, o presidente Leonardo Oliveira ganha o valor mensal de R$ 25 mil por ser o interventor judicial desse caso. Cerca de R$ 2,6 milhões referentes ao pagamento dos honorários dos advogados de Werner também serão incluídos no ato.

Carlos Werner já foi o salvador do Paraná, mas não teve retorno dos empréstimos. Foto: Jonathan Campos
Carlos Werner já foi o salvador do Paraná, mas não teve retorno dos empréstimos. Foto: Jonathan Campos

Mais um

Antes, diante das inúmeras dívidas trabalhistas que assolam o Paraná Clube nos últimos anos, outros patrimônios precisaram ser desfeitos. As áreas do Tarumã, do supermercado BIG, na Avenida das Torres e a sub-sede do Boqueirão foram a leilão para o pagamento de dívidas do clube.

Envolvimento

Carlos Werner passou a viver o dia a dia do Tricolor efetivamente em 2014, mas ajudava apenas as categorias de base. O envolvimento foi cada vez maior. Por ter posses e sempre disposto a ajudar, o empresário foi a válvula de escape das diretorias para conseguir pagar suas dívidas, mas sempre mediante a garantias.

O empresário foi importante quando o Paraná conseguiu o acesso à primeira divisão. Levou jogos para o Couto Pereira e para a Arena da Baixada e também manteve as contas em ordem para que os atrasos salariais não atrapalhassem o desempenho do time em campo.

No entanto, o relacionamento dele com Leonardo Oliveira foi piorando, sobretudo por conta do então executivo de futebol, Rodrigo Pastana. Em janeiro de 2018 houve o rompimento total e especulou-se, inclusive, que o ex-mecenas concorreria às eleições do clube em setembro do ano passado, o que acabou não acontecendo.