O técnico Lori Sandri está preocupado com o início.

O Paraná Clube tenta acelerar o processo de reformulação de seu plantel em uma corrida contra o tempo. Dentro de três semanas o time estará entrando em campo para enfrentar o Goiás, na largada do campeonato brasileiro. Com apenas dezenove jogadores no grupo e a previsão de chegada de oito a dez reforços, o técnico Lori Sandri admite que o tricolor conviverá com dificuldades no início da competição.

Este é apenas mais um reflexo da má campanha no estadual, que acabou determinando uma profunda alteração no planejamento da equipe. Com os estaduais em andamento, muitos dos jogadores pretendidos poderão chegar somente após o dia 17, quando as competições se encerram. Mesmo assim, o diretor de futebol Durval Lara Ribeiro viajou ontem para o interior paulista, onde pretende definir algumas transações.

"Futebol é conjunto. A dificuldade do Paraná será a mesma de grande parte dos integrantes da série A", comentou Lori Sandri. O técnico sabe que além de ajustar o elenco, o Tricolor terá que contar com um pouco de sorte nas contratações. "Estamos observando os atletas em ação, para reduzir ao máximo os erros. Mas, diante do volume de contratações necessárias, não iremos acertar todas", comentou. Lori sabe que não basta trazer atleta de nível.

O Paraná precisará, acima de tudo, fazer com que essas novas peças se encaixem. No ano passado, um exemplo claro dessa dificuldade. O meia Canindé – badalado como a melhor contratação do tricolor para o brasileiro – rendeu menos do que Cristian e Marcel. Sem recursos para grandes investimentos, o Paraná tenta ajustar parcerias com os detentores dos direitos econômicos de jogadores aprovados pela comissão técnica.

"Temos várias transações adiantadas. Acredito que poderemos fechar com alguns reforços nos próximos dias", comentou Vavá, sem revelar os nomes pretendidos. O dirigente passará, nesta viagem, por Itu e Santos. "O melhor mercado é o paulista, mas isso não significa que não temos outros campos de observação", disse o vice de futebol José Domingos. Ele e o "olheiro" Wil Rodrigues vão a Joinville, observar o meia-atacante Paty, do Atlético de Ibirama.

Jogadores do interior gaúcho e do Volta Redonda (finalista do campeonato carioca) também estão sendo observados. "Temos dois nomes já certos, mas só iremos anunciá-los após a transação ser efetivada", confirmou José Domingos.

Termina a bateria de avaliação física

A comissão técnica encerra hoje o primeiro período de avaliações físicas para o elenco tricolor. Com a chegada de reforços programada para os próximos dias, este processo terá que ser intercalado aos trabalhos técnicos e táticos. "A diferença é que teremos, num primeiro momento, um grupo bastante heterogêneo", destacou o técnico Lori Sandri.

O preparador físico Wilian Hauptmann comandou as atividades nos últimos dias, realizadas na Vila Capanema e no setor de educação física da PUC. "Como este grupo já estava no paranaense, sabemos das condições físicas de cada jogador. Eles estão muito bem", analisou Hauptmann. Mesmo reconhecendo a importância desta intertemporada, os atletas sempre chiam por não haver treino com bola nesta fase inicial.

"Não é fácil. Sei que é normal e necessário. Mas, não precisavam judiar tanto. Já não tenho 19 anos, não", disparou o bem-humorado (apesar do seu apelido de "ranzinza") Renaldo. "Vou te contar, saí daquela bicicleta completamente zonzo." O artilheiro de 35 anos não vê a hora da bola rolar. "Sou um cara que me cuido, mas só treinar não é fácil. E ainda faltam três semanas", lamentou.