Paulo Sérgio/Vipcomm
Com um jogador a menos desde o início do jogo, Tricolor se segurou até os 11? do 2. º tempo, quando Morais abriu o placar.

Desta vez, a fé da torcida tricolor não foi suficiente. O Paraná perdeu por 3 a 0 para o Vasco, no Rio de Janeiro, e pela primeira vez, desde 1992, vai disputar a 2.ª divisão do Brasileirão.

A queda paranista não é surpresa para ninguém. O time abusou da confiança da galera durante todo o campeonato e, no final, conseguiu apenas deixar ainda maior a decepção do torcedor.

O jogo de ontem não valeu nada para o Paraná. Mesmo se tivesse vencido em São Januário, o time da Vila Capanema seria rebaixado, já que a vitória do Goiás sobre o Internacional sepultou as poucas chances que ainda restavam.

Ao invés de escapar da zona da degola, o Tricolor perdeu mais uma posição, para o Juventude. Terminou o campeonato no penúltimo lugar, à frente apenas do fraquíssimo América-RN. Aliás, adversário que derrotou os paranistas duas vezes na competição.

A classificação final mostra bem o pífio desempenho do Paraná. Em 38 jogos, foram 19 derrotas, 8 empates, 11 vitórias, e 41 pontos somados, um aproveitamento de apenas 35,9%.

Saideira

O jogo de ontem deu a medida da falta de competência da equipe tricolor. Apenas uma vitória poderia manter abertas as possibilidades de permanência na elite. Mas em nenhum momento o time mostrou qualidade para conquistá-la.

Além de vencer, o Paraná tinha que torcer para tropeços de Goiás e Corinthians. E se já era difícil, a tarefa se tornou quase impossível logo a 6 minutos de partida. O Vasco, que lutava por uma vaga na Copa Sul-Americana, já havia criado duas boas chances, quando o garoto Everton mostrou desequilíbrio emocional e acertou um carrinho violento, e desnecessário, em Wágner Diniz. O árbitro Sérgio da Silva Carvalho não teve dúvidas: cartão vermelho direto.

Na base da raça, e com grandes defesas do goleiro Gabriel, o Tricolor ainda conseguiu segurar o empate no 1.º tempo. Os outros resultados ainda mantinham acesa uma chama de esperança. Mas na 2.ª etapa a coisa desandou.

Aos 11?, Alan Kardec dividiu com Neguete dentro da área e a bola sobrou para Morais, que bateu de primeira e colocou o Vasco na frente. Nove minutos depois, Leandro Bonfim tocou para Conca, que chutou em cima de Neguete. Leandro Amaral pegou o rebote e fez 2 a 0.

O Paraná tentou reagir e acertou uma bola na trave, num chute de Giuliano. Mas logo veio o golpe final. Aos 25?, Leandro Amaral recebeu na direita e bateu cruzado, quase sem ângulo. Gabriel falhou e o Vasco fez 3 a 0. Quase ao mesmo tempo, no Serra Dourada, o Goiás marcou 2 a 1 sobre o Inter e fechou o caixão do Paraná.

BRASILEIRÃO 2007

38.ª rodada

VASCO 3 x 0 PARANÁ

Vasco

Cássio; Wagner Diniz (Eduardo  31? do 2.º), Luizão, Vilson e Guilherme; Thiaguinho, Amaral (Conca  27? do 1.º), Leandro Bonfim (Perdigão  35? do 2.º) e Morais; Leandro Amaral e Alan Kardec. Técnico: Valdir Espinosa.

Paraná

Gabriel; Léo Matos (André Luiz  14? do 2.º), Toninho, Neguete e Paulo Rodrigues; Goiano, Adriano (Lima  18? do 2.º), Elvis (João Paulo  28? do 1.º) e Giuliano; Everton e Josiel. Técnico: Saulo de Freitas.

Gols: Morais, aos 11?, e Leandro Amaral, aos 20? e 25? do 2.º tempo.

Árbitro: Sérgio da Silva Carvalho (DF).

Assistentes: Enio Ferreira de Carvalho (DF) e Helberth Costa Andrade (MG).

Cartão vermelho: Everton (P), aos 6? do 1.º tempo.

Local: São Januário, no Rio.

Jogadores não seguram choro

Clewerson Bregenski

A desolação no semblante dos jogadores do Paraná pela queda à 2.ª divisão contrastava com a festa da torcida vascaína nas arquibancadas, pois o time cruzmaltino conquistou vaga à Sul-Americana. Muitos atletas paranistas saíram de campo chorando, como o volante Goiano, formado nas categorias de base do tricolor paranaense. Para o jogador, a queda do Paraná não aconteceu apenas devido à derrota para o Vasco, mas pela campanha irregular feita no decorrer do campeonato. ?Não conseguimos manter o ritmo do início do Brasileirão. Com a chegada do Saulo, o time melhorou. Mas infelizmente não tiramos o clube dessa situação?, desabafou. Para o próximo ano, o jogador disse que o grupo tem que erguer a cabeça e trabalhar muito para tirar o Paraná da Segundona. ?Estamos todos chateados, porque ninguém queria cair. Agora é pedir desculpas à torcida e encarar com espírito de vencedor a 2.ª divisão, para subirmos já no próximo ano?, afirmou.

Vergonha

O goleiro Gabriel, destaque do jogo, também lamentou a queda de seu time. ?Para mim, é bastante vergonhoso. Temos que pensar no que foi feito de errado para não repetirmos os erros?, avaliou. Para Gabriel, que deverá ser o camisa 1 em 2008, o Paraná tem que se reorganizar e montar uma equipe para conquistar o estadual, Copa do Brasil e para retornar à divisão de elite. ?Quero gravar meu nome no grupo que vai ascender para a 1.ª divisão?, desabafou.

A constante troca de técnicos também foi apontada como um dos fatores que ajudaram o Tricolor a terminar o ano rebaixado. No Brasileirão, o time foi comandando por cinco treinadores – Zetti, Pintado, Gilson Kleina, Lori Sandri e Saulo de Freitas.

Paraná paga caro por sucessão de erros

Irapitan Costa

Daniel Derevecki
Desespero toma conta da torcedora tricolor, que acompanhou o rebaixamento do time pela TV.

O rebaixamento do Paraná Clube foi o resultado de uma somatória de equívocos cometidos por diretoria, comissões técnicas e jogadores. Cada ?fatia desse bolo? deu a sua contribuição para o pior desempenho do clube em um Brasileirão. Vale lembrar que, pela primeira vez em sua história, o Tricolor é rebaixado em campo. Talvez reflexo do excesso de confiança que tomou conta dos paranistas diante do seu retrospecto recente nas competições promovidas pela CBF.

Sempre rotulado de ?favorito ao descenso?, o Paraná derrubou os ?videntes da bola? com campanhas sólidas e convincentes. Principalmente após a transformação do Brasileirão em uma competição por pontos corridos. Não foi à toa que o Tricolor apresentou o 8.º melhor desempenho dentre todos os participantes da Série A desde 2003, quando a CBF adotou a nova fórmula, que premia a regularidade. Nem mesmo o susto de 2004 afetou nessa somatória de pontos, que colocava o Paraná numa posição de destaque.

Então, o que mudou na rotina do Paraná? É difícil se nominar apenas um deslize diante dos muitos problemas pelos quais o clube passou nesta temporada. As falhas administrativas, com as denúncias de negociatas e envolvimentos duvidosos com empresários dão o pano de fundo para o drama paranista. Mas não foi só isso. Na luta pelo poder, o então presidente José Carlos de Miranda passou a se isolar no comando do clube, com o afastamento de conselheiros, descontentes com a forma como se conduzia a sucessão.

Mas creditar o fracasso apenas aos problemas político-administrativos (e por que não dizer morais) seria um erro. O Paraná falhou num todo, da avaliação do seu grupo à mudança de perfil dos reforços contratados. A cada ano, o clube sempre adotou a única saída viável diante da sua dificuldade financeira: montar um time, negociá-lo ao fim da temporada e com esses recursos partir para uma nova equipe. Só que em 2007, boa parte do time que disputou a Libertadores e o Paranaense também foi embora e o novo grupo não ?deu liga?.

Grande pecado

O Paraná perdeu peças fundamentais e que não foram repostas. Nesse quesito, três exemplos: o volante Xaves, o meia Dinelson e o atacante Henrique Dias. E, mesmo assim, ao largar com vitórias expressivas no Brasileirão, os dirigentes anunciavam que nessa temporada o clube não brigaria pela Libertadores, mas pelo título. Um erro de avaliação que começou a se confirmar com as sucessivas trocas no comando técnico. Talvez aí, o grande pecado do Tricolor nesse ano.

A diretoria não conseguiu segurar Zetti – que mesmo perdendo o estadual para o Paranavaí, fizera um bom trabalho no 1.º quadrimestre – e ainda se deixou levar pelo seu momento de ?aposta em ex-são-paulinos?, trazendo Pintado. Estreante como treinador, ele fechou seu ciclo com números razoáveis, mas com derrotas marcantes. Era o primeiro sinal de que algo não ia bem. O Paraná ?conseguiu? perder em casa para o América-RN, mas o tropeço foi encarado como ?coisas do futebol?. Com a saída do treinador para o mundo árabe, a diretoria foi buscar Gilson Kleina.

A partir daí, nada mais deu certo no Paraná. O desempenho foi pífio e o clube fechou o 1.º turno já sob o risco de rebaixamento. Com Kleina – que já fracassara em 2004 – o Paraná perdeu cinco dos oito jogos que disputou. O grupo caiu em descrédito e nem o experiente Lori Sandri conseguiu mudar o rumo ?dessa conversa?. O Tricolor seguiu ladeira abaixo e o fôlego dado por Saulo de Freitas não foi suficiente para tornar o time minimamente estável.

A derrota para o Santos – em apenas 10 minutos – talvez seja o melhor retrato do time paranista neste ano. Um time de qualidade duvidosa e sem sequer a fibra, a garra e a união que nortearam o Tricolor nas campanhas vitoriosas de 2003 (10.º lugar), 2005 (7.º) e 2006 (5.º). Num resumo prático, a degola que ontem se consumou nada mais do que um justo castigo para uma sucessão de trapalhadas, dentro e fora de campo.

Saulo faz balanço e diretoria tricolor já planeja temporada 2008 pra voltar à elite

Clewerson Bregenski

Valquir Aureliano
Técnico paranista, ao lado do roupeiro Lontre, diz que o emocional prejudicou rendimento da equipe.

O técnico Saulo de Freitas analisou ter feito um bom trabalho no comando do Paraná, pois pegou um time em situação delicada e conseguiu dar esperanças ao grupo e à torcida de permanecer na divisão de elite do Brasileirão até a última rodada. Para ele, os jogadores corresponderam em campo e lutaram até o final.

O problema foi o lado psicológico que prejudicou o rendimento da equipe. O técnico – que tem contrato para o Paranaense de 2008 – adiantou que fará uma reunião com a diretoria nesta semana para definir o planejamento para a próxima temporada, inclusive com a relação dos jogadores que devem permanecer no clube. ?O Paraná tem que se programar e montar um grupo bom. Se organizado, vai lutar pela conquista de títulos. O que não pode é ter problemas fora de campo, que isso influi muito?, disse o treinador em alusão aos escândalos administrativos pelo qual a diretoria passou neste ano. No planejamento de futebol, Saulo adiantou que o Tricolor vai ter que contratar jogadores de qualidade, mas ?tudo dentro das condições financeiras do clube?.

Política

O presidente Aurival Correia falou sobre a política para a próxima temporada. Segundo ele, a diretoria de futebol continua a mesma, mas haverá mudanças em outras pastas.

?O diretor de futebol (José Domingos) tem nossa confiança e será mantido. Talvez ganhe até algum reforço?, comentou.

O grupo de investimento também foi considerado pelo presidente como vital para a sustentabilidade do Paraná em 2008. ?O grupo segue e é necessário para fazer as contratações. Será muito importante na disputa da 2.ª divisão. Já temos projetos e parcerias que vão ajudar a nos mantermos?, informou. Sobre as contratações, Correia disse que o clube vai voltar à filosofia de investir em jogadores menos conhecidos. Sem o dinheiro da televisão, o dirigente prevê dificuldades para gerir o Tricolor, porém confia na experiência da sua administração. ?Vamos ter que revelar jogadores e teremos que vender alguns atletas que estão no elenco para fazer caixa?, finalizou.