Mônaco – Enquanto os pilotos aproveitavam a sexta-feira de folga para flanar pelo principado, os dirigentes da Fórmula 1 se reuniram em Mônaco para mudar o regulamento mais uma vez. A partir da próxima etapa do mundial, dia 29 em Nürburgring, está extinto o treino de domingo de manhã, introduzido na atual temporada para definir o grid de largada. Hoje, essa definição se dá com a soma de tempos de duas sessões, a primeira no sábado e a segunda quatro horas antes da largada.

A pressão maior pela mudança veio das emissoras de TV, que estavam ignorando a segunda classificação e vendo a audiência da primeira, aos sábados, despencar vertiginosamente. Para formalizar a alteração, falta apenas a aprovação da Comissão de F-1, cujos membros, espalhados pelo mundo, têm até quarta-feira da semana que vem para enviar seus votos por fax.

Mas é mera formalidade, já que todos os times apoiaram a nova regra, com efeito imediato. O presidente da FIA, Max Mosley, disse ontem que é contra a mudança, mas vai acatar o pedido das equipes.

A partir do GP da Europa, o grid será formado a partir de uma única sessão classificatória, na tarde de sábado, com voltas lançadas. Os pilotos entrarão na pista na ordem inversa da chegada da corrida anterior: o último colocado abre o treino e o vencedor, fecha. Os carros levarão no tanque a gasolina que será usada no início da prova, no dia seguinte.

Isso significa que, na prática, ninguém mais vai treinar com tanque vazio e carro leve, como acontece atualmente para que se consiga um bom tempo na primeira classificação. É o quinto formato de classificação adotado pela F-1 em quatro anos. Até 2002, os pilotos davam 12 voltas no sábado, entrando na pista quando quisessem. Em 2003 a FIA inventou a pré-classificação na sexta-feira, que determinava a ordem de entrada na pista no sábado. Foi o início da era das voltas lançadas. Em 2004, a pré passou para o sábado, imediatamente antes da classificação. A temporada de 2005 começou com a soma de tempos e agora deriva para o treino único, sem pré.

Hoje, em Mônaco, os carros voltam à pista a partir das 4h de Brasília para os treinos livres. O grid da sexta etapa do mundial começa a ser definido às 8h. Amanhã, a sessão dominical se despede da categoria antes da corrida, com largada prevista para as 9h e 78 voltas. Na quinta-feira, o mais rápido nos treinos livres foi Fernando Alonso, da Renault.

Ferrari no brejo é prejuízo

Mônaco – Uma Ferrari ganhando tudo incomoda muita gente. "Mas não ganhando nada, é pior ainda." O autor da teoria é o dono da F-1, Bernie Ecclestone, que controla comercial e politicamente a categoria. O baixinho inglês está preocupado com a rápida caminhada do time de Maranello rumo ao brejo. "Ninguém quer que eles vençam todas, mas também não podem entrar nessa espiral decadente, ficando sem vitória alguma. Espero que reajam e consigam alguma coisa ainda neste ano."

Bernie sabe como foi trágica para a F-1 a primeira metade da década de 90. O time vermelho chegou a ficar quatro anos sem ganhar (90 a 94). Aí Berger venceu uma em Hockenheim; e Alesi, em 1995, ganhou sua solitária prova no Canadá. Schumacher chegou no ano seguinte, e só foi faturar a primeira na sétima etapa do campeonato, em Barcelona. O resto é história, uma história que mudou de padrão com a chegada do alemão.

O último longo jejum ferrarista sem vitórias aconteceu justamente entre a de Alesi em Montreal/1995 e a de Schumacher em Barcelona/1996: 17 corridas. Agora, a série está em seis, apenas: a última do ano passado e as cinco primeiras desta temporada. Mas nada indica que vá acabar tão cedo. Ontem, em Mônaco, Rubens Barrichello deu bem o tom do que espera o time para a prova de amanhã: "No ritmo que estamos, comparando com McLaren e Renault, corremos o risco de tomar uma volta do vencedor aqui".

Ecclestone, no entanto, confia no poder de reação da equipe mais popular do mundo. E acha que Schumacher, mesmo se levar uma sova neste mundial, não vai parar de correr. "Ao contrário, vai se motivar mais e estender seu contrato", falou.