Aconteceu. A volta do futebol alemão, na rodada iniciada no sábado (16), mostrou o tamanho da adaptação que todos terão que enfrentar para que as partidas sejam retomadas. O grau de cuidado é extremo para evitar ao máximo o contato, deixando apenas para o inevitável, que é o jogo em si. E vendo tudo que se fez por lá me dá a certeza que ainda não é hora para pensarmos em reiniciar competições no Brasil.

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Confesso que foi diferente ver a partida que marcou a volta do futebol na Alemanha, entre Borussia Dortmund e Schalke 04. Um clássico sem torcida, sem a empolgação na chegada e dentro do Signal Iduna Park, com pessoas distantes e mascaradas, e até a transmissão da FOX Sports feita com a equipe nas suas casas. O primeiro impacto é de estranheza.

Mas é o cenário que viveremos a partir de agora – com essa precaução elevada à última potência até a descoberta de uma vacina para a covid-19. E será preciso se acostumar com portões fechados, com testagem em massa, a higienização obsessiva de tudo, com uma cobertura diferente da imprensa, sem crianças na entrada dos times, sem fotos posadas, com cinco alterações.

O Signal Iduna Park vazio. É o tal “novo normal”. Foto: Divulgação/Schalke 04

O ‘invisível’ da volta do futebol

Só que o mais importante é o que não vemos. É a gigantesca estrutura necessária para a adoção do protocolo da volta do futebol. Foram 40 dias de preparação para que clubes de todas as divisões estivessem preparados para a Bundesliga ser retomada – inclusive com um adiamento em relação à data imaginada. E tudo feito com extrema seriedade, sem apressar nada, com investimento pesado (os clubes grandes ajudaram a bancar a conta para os menores) e prioridade para a saúde de quem fará o espetáculo.

Escrevendo e relendo a última frase, vejo que quase nada dela se aplica ao Brasil. O sonho dos cartolas, principalmente de federações e da CBF, era da volta do futebol por aqui acontecer também neste último final de semana. E pensar nisso era uma maluquice tão grande que foi simplesmente ignorada pelas autoridades sérias da saúde pública. Apenas nos cinco primeiros dias da semana passada foram notificados 55.524 casos da covid-19. Vivemos o pior período da pandemia.

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Atletas não foram ouvidos – e a maioria tem medo da volta do futebol. CBF e federações não aceitam usar um tostão para ajudar os clubes, principalmente os menores. Os mais ricos também não se mexeram para apoiar quem está precisando. E os protocolos médicos só ganharam substância recentemente, no mesmo momento em que a estratégia dos cartolas era revista.

Será?

E assistindo às partidas da Bundesliga, a dúvida só aumentou: temos condições, temos estrutura pra volta do futebol? Todos nós sabemos vai ser possível adotar o protocolo médico na Arena da Baixada, no Couto Pereira, na Vila Capanema, no Maracanã, no Allianz Parque. Mas e nos estádios do interior do País? A CBF vai tirar o escorpião do bolso para ajudar os times menores?

Sendo bastante otimista (ou ingênuo), posso acreditar que os cartolas têm um planejamento e têm um protocolo médico. Mas falta vontade de fazer direito e sobram interesses distantes do esporte. Por isso, ainda não dá pra pensar na volta do futebol.


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