Brasil campeão do mundo na Copa de 1958. Quem viu o jogo todo? Nos últimos dias, o SporTV está prestando um serviço gigantesco ao apresentar a íntegra dos jogos decisivos da seleção no bicampeonato mundial. Nesta terça (30), a partir das 19h, será mostrada a épica final de 58, a vitória sobre a Suécia por 5×2 no estádio Rasunda, em Solna.

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É maravilhoso poder ver o talento nascente de Pelé. E o gênio intuitivo, brasileiro até a medula, de Mané Garrincha. Mas também podemos ver na totalidade o monstro que foi Didi, o porque de Nílton Santos ser apelidado de Enciclopédia do Futebol, o gigante Zito, a revolução tática que Zagallo representou. E os gols de Vavá, a sobriedade de Bellini e Orlando, o brilhantismo de Djalma Santos, a elegância de Gilmar

Engraçado termos a chance de ver a gênese do “melhor futebol do mundo” nesse momento de incerteza e de preocupação com a pandemia do novo coronavírus. Aumentei a saudade do que não vivi (perdão, Neymar) vendo como Curitiba festejou o título na Copa de 1958. Veja agora sete momentos daqueles dias de junho de 58.

Palpite certeiro pra final da Copa de 1958

O Diário do Paraná pediu a algumas personalidades do meio político da época que dissessem quanto iria dar a final da Copa de 1958. E entre nomes conhecidos, como o então governador Moysés Lupion e o já deputado estadual Aníbal Khury, só um cravou o resultado. Foi o cônsul de Portugal em Curitiba, Joaquim Ferreira Gomes. Hoje, ele é nome de rua no bairro Santa Terezinha, em Colombo.

No destaque, o palpite certeiro de Ferreira Gomes. Foto: Reprodução/Biblioteca Nacional

Majestade do Arco no radinho

Assim como hoje, havia a curiosidade de saber como estrelas do esporte acompanhavam a Copa do Mundo. O Diário do Paraná deslocou um fotógrafo para registrar Caju, o maior goleiro da história do Athletico, ligado no rádio durante Brasil x Suécia. Naquele tempo, pensar em transmissão intercontinental pela TV era apenas um sonho. Sequer havia emissoras funcionando em Curitiba. Por isso, o rádio era o companheiro do torcedor.

Caju e a família em torno do rádio. Foto: Reprodução/Biblioteca Nacional

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Festa nas ruas

Já naquela época falavam que o curitibano era frio. Mas pense ganhar uma Copa do Mundo. Se você viveu a festa do tetra em 1994, os registros de 1958 falam de uma comemoração semelhante. Como a capa do Paraná Esportivo mostrava em 30 de junho.

O frenesi nas ruas de Curitiba. Foto: Reprodução/Biblioteca Nacional

Pegando fogo

A comemoração do título na Copa de 1958 foi memorável. Segundo o Diário da Tarde, nem momentos políticos relevantes reuniram tanta gente em Curitiba. É bom lembrar que esses eventos, inclusive quando houve visitas do então presidente Getúlio Vargas (que governou o Brasil de 1930 a 1945 e depois de 1951 a 1954) chegava-se a decretar feriado municipal.

A manchete do Diário da Tarde. Foto: Reprodução/Biblioteca Nacional

A carta

Por incrível que possa parecer, o então presidente da CBD, João Havelange, teve tempo após a final da Copa de 1958 para mandar uma carta ao Paraná Esportivo para agradecer o “irrestrito apoio” das autoridades, dirigentes e desportistas do estado.

Foto: Reprodução/Biblioteca Nacional

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Edição extra

Naqueles tempos, os jornais tinham edições extras, que eram rodadas imediatamente após fatos de grande repercussão. Foi o que o Diário do Paraná fez, chegando às bancas na tarde do domingo, horas depois da final da Copa de 1958. E uma remessa foi enviada para o Jóquei Clube no Tarumã – naquela época o turfe tinham grande público.

O pessoal aproveita o tempo entre os páreos pra dar aquele bizu no jornal. Foto: Reprodução/Biblioteca Nacional

Páginas policiais

Óbvio que teria alguma confusão na maior comemoração popular da história de Curitiba. E foram dois soldados que, excedidos em “libações alcoólicas“, como disse o Diário da Tarde, saíram na mão. E um esfaqueou o outro e “se evadiu“.

Ocorrência na rua Almirante Gonçalves. Foto: Reprodução/Biblioteca Nacional

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