Em tempos de pandemia, como dar vida a estádios vazios? No Coritiba, a receita tem um computador, 11 caixas de som e um DJ louco pelo Coxa.

Terry Santos, 50 anos, responsável pelos anúncios no sistema de som do Couto Pereira desde 2008, é quem comanda a bateria virtual e dá o play nos cânticos que deixam os duelos no Alto da Glória com menos cara de jogos-treino.

“Precisamos nos reinventar por causa da pandemia de Covid-19. Junto do departamento de marketing do clube, criamos os arquivos com os sons da torcida, reunimos os gritos… montei um áudio geral para o jogo inteiro e vou colocando outros sons pré-gravados de acordo com o momento”, explicou o DJ.

Terry Santos trabalha no Coritiba desde 2008. Foto: Divulgação/Coritiba

“Tento dar a mesma dinâmica da torcida. Presto muita atenção durante os 90 minutos”, acrescentou Terry, que fica posicionado em uma cabine nas sociais, pertinho da curva onde normalmente fica a organizada Império Alviverde.

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Segundo o diretor de marketing do clube, Rafael Saling, resgatar o ambiente pré-pandemia, mesmo que artificialmente, é uma forma de tentar trazer o torcedor que assiste pela televisão para dentro do jogo. E sem gastar muito.

“É algo que possui um baixo investimento e um retorno bacana. Quando possível, o clube também viabilizou a borda de LED, em torno do gramado, na final do paranaense, algo também inovador, e que possibilitou colocar a torcida literalmente dentro de campo”, disse Saling.

A iniciativa recebeu elogios, inclusive na transmissão da Globo na partida contra o Vasco. “O (narrador) Luiz Roberto falou várias vezes do trabalho”, orgulhou-se Terry.

“Só ouvi comentários positivos também dos jogadores. Ao invés daquele silêncio total eles têm um incentivo na partida”, completou o polivalente disc jockey, que também atende aos tradicionais casamentos e formaturas.

Terry dá vida ao Couto Pereira em dias de jogos durante a pandemia. Foto: Divulgação/Coritiba

Se bem que, no fundo, a vontade do DJ não era colocar apenas apoio ao Coxa. “Para falar a verdade eu tenho uns sons de vaias que usei no início, mas depois veio uma orientação da CBF para não colocar mais”, lamentou.

“O adversário atacava e eu colocava aquela vaiazinha para tentar atrapalhar um pouco. O ambiente do estádio é assim quando tem torcida”, defendeu-se Terry, que trabalha sozinho nos jogos do Coritiba. Mas nunca teve tantas ofertas de ajudantes querendo trabalhar de graça.

“Sou um privilegiado por poder assistir aos jogos no estádio. E estou recebendo um monte de pedidos de gente que quer ajudar. A lista está enorme”, brincou.

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