“Paulo André é um jogador diferenciado”. Quantas vezes você já ouviu essa frase? Certamente muitas durante a carreira do zagueiro, um dos destaques da temporada do Atlético, que se encerra com o título da Copa Sul-Americana. E essa conquista também marca – caso ele não mude de ideia – o final dessa carreira recheada de taças, e o início de um novo momento, como dirigente do Furacão e com a chance de implementar os planos que foi traçando como um dos atletas mais lúcidos do futebol brasileiro.

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Em sua habitual discrição, Paulo André foi ano após ano se tornando uma liderança entre os jogadores. Sem fazer alarde, criou com outros colegas (Alex, Seedorf, Juninho Pernambucano) o coletivo Bom Senso FC, que foi a grande – talvez única – iniciativa dos atletas para modernizar o esporte no País. Abafado pela política, pela pressão da CBF e pela falta de ação dos dirigentes de clubes, o movimento se desarticulou. Mas naquele processo já surgiam as ideias do zagueiro.

Um esporte mais justo, mais inclusivo e mais profissional. Seria possível? Na cabeça de Paulo André, sim. Para isso, é preciso que o jogador se conscientize, ao mesmo tempo em que o clube cria condições para o desenvolvimento intelectual de seus “patrimônios”. Para o quase ex-jogador, a preparação de um atleta não está somente nos treinamentos físicos, mas também na busca incessante de conhecimento e na participação de todos nas decisões do esporte. E principalmente mais influência.

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O Atlético, apesar do poder centralizado, permitiu a Paulo André desenvolver muitos de seus projetos. O que mais o empolga é trabalhar com as categorias de base, justamente para transformar não só o jogador, mas a pessoa. Essa função já o colocou dentro do departamento de futebol antes mesmo de encerrar a carreira. E faz com que se possa imaginá-lo como um dos principais personagens do esporte no País nos próximos anos.

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Um profissional sem medo de contestar. A cena mais marcante do jogador neste ano foi antes da partida contra o América-MG, no Campeonato Brasileiro. Enquanto todos os atletas rubro-negros vestiam uma camisa amarela que fazia alusão à campanha do então candidato (depois eleito) à presidência, Jair Bolsonaro, Paulo André estava com o agasalho rubro-negro. Não precisou gritar para ser ouvido. E manteve-se íntegro ao seu posicionamento, sem qualquer tipo de represália interna. Coisa para poucos no Furacão.

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Em campo, certamente Paulo André queria ter feito mais do que fez em 2018. Não por qualidade, pois teve tecnicamente uma temporada muito boa, mas certamente por quantidade. Ele admitiu nesta reta final de ano que o corpo já não responde mais como antes, o que o leva a ter mais lesões e principalmente demorar mais para se recuperar. Assim perdeu as partidas decisivas da Copa Sul-Americana, vendo Thiago Heleno voltar a ser titular. Mas seguiu fundamental fora de campo, como um dos líderes do elenco ao lado de Lucho González.

E por isso ele comemorou muito o título, o último de uma carreira que também tem Campeonato Brasileiro, Libertadores, Recopa Sul-Americana e Mundial de Clubes pelo Corinthians. Uma trajetória de sucesso dentro de campo, e que promete ter êxito semelhante a partir de agora fora dos gramados. E com a chance de poder fazer realidade os seus planos para melhor o esporte no Brasil.

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