“Vocês querem me fazer chorar”. Pablo é sincero, não esconde a emoção que vive desde que Thiago Heleno acertou o pênalti que deu o título da Copa Sul-Americana para o Atlético. Apesar de ser um dos jogadores mais cerebrais do Furacão, foi essa emoção que transformou o camisa 5, fazendo dele um dos atacantes mais valorizados do futebol brasileiro. A ponto de ele considerar que a evolução como pessoa foi tão importante quanto a evolução técnica.

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Pablo viveu em 2017 um dos anos mais complicados de sua carreira. Cobrado pela torcida e criticado pela imprensa, ainda vivia um drama pessoal. O pai, Cícero, passou quatro meses internado. “Teve um jogo em que eu cheguei no aeroporto de Recife e já me deram a passagem de volta porque meu pai passaria por uma cirurgia”, revelou, em uma das entrevistas que concedeu ontem – em um espaço de duas horas, falou com a RPC, o SporTV, o GloboEsporte.com, a Gazeta do Povo e com a Tribuna do Paraná.

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Apesar de estar em uma situação complicadíssima, Pablo não expôs nada. “Não queria que achassem que eu era coitadinho. Não poderia misturar meu trabalho com minha vida pessoal”, resumiu. Foi por isso que só falou sobre o assunto quando seu Cícero estava plenamente recuperado. O pai, além de tudo, é quem cuida da carreira do atacante atleticano. Vê-lo bem foi o primeiro passo da transformação do jogador. “Com tudo que aconteceu no ano passado, com as críticas, com a pressão, com os problemas do meu pai, criei uma casca. Estava conversando com o Tiago Nunes durante um dos nossos treinos justamente sobre isso. Eu me sinto mais maduro depois de tudo que vivi”, confessou.

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Pablo comemora o gol diante do Junior. Foto: Albari Rosa
Pablo comemora o gol diante do Junior. Foto: Albari Rosa

Ao mesmo tempo em que via a vida voltar aos eixos, Pablo ouviu do então técnico rubro-negro Fernando Diniz que seria escalado como centroavante. Após a troca de comando, veio uma orientação decisiva. “O Tiago me chamou e disse que queria que eu fosse um centroavante com movimentação. Que buscasse o jogo, que ajudasse na criação e na marcação. E eu só posso agradecer por tudo que ele fez por todos nós, jogadores”, elogiou o atacante.

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E foi aí que o camisa 5 (número usado na Sul-Americana em homenagem ao pai) explodiu. Até a metade da temporada, Pablo havia marcado cinco vezes. Depois, foram treze, além de passes decisivos. Ele se tornou um dos principais atacantes do futebol brasileiro, uma espécie de símbolo do futebol que o Atlético jogou no segundo semestre. Um estilo que exige muito dos jogadores. “A gente precisa estar 100% o tempo inteiro. É muito intenso, e isso só se faz com um grupo”, comentou.

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Tanta exigência fez com que uma lesão na panturrilha assombrasse o atacante. “Eu tive uma contusão na panturrilha no jogo com o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro. Depois, eu praticamente não treinei. Temi por não jogar a decisão. Mas o pessoal da fisioterapia do Atlético foi sensacional, eles sempre me garantiam que eu iria jogar”, contou Pablo. Não só jogou com marcou dois gols nas finais da Sul-Americana. Coroou a temporada com o título – e na comemoração acabou sentindo de novo a contusão, o que fez ele chegar à sede da RPC mancando.

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Mas o gosto da conquista é o melhor remédio para a dor. “Eu ainda não encontrei o limite da felicidade. Eu vivo o Atlético já doze anos, amo esse clube”, disse Pablo, que não sabe ainda como será o futuro. “Estou muito feliz no Atlético. Mas sei que meu pai, meus empresários e o presidente (Mário Celso Petraglia, do Conselho Deliberativo) estão vendo o que é melhor para mim e para o Furacão”. E como foi o abraço com o pai após a conquista do título? “Eu queria muito o título para oferecer para ele. Foi muito emocionante”, resumiu, antes de finalizar. “Vocês querem fazer chorar, né?”.

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