Foto: Orlando Kissner/Tribuna
Ontem era dia para saber novidades do Atlético. O treino só pode ser visto por uma fresta.

Mesmo pregando disciplina e organização no dia-a-dia do Centro de Treinamento do Caju, o Atlético não cumpriu o que pretendia fazer, o que já não era muita coisa. Muito pelo contrário. O compromisso da entrevista com o técnico Lothar Matthäus ficou só na promessa. Os jogadores "escolhidos" para conversarem com os repórteres foram os contratados da semana passada, Válber e Herrera. Sobre a preparação do time para as quartas-de-final do Paranaense, nada. Absolutamente nada! Informação agora, só na sexta-feira e olhe lá.

A proibição da entrada dos meios de comunicação no CT impediu o contato com jogadores e comissão técnica. Nem imagens dos trabalhos foram permitidas. Para piorar, um mural com os patrocinadores do clube foi colocado na janela da sala de imprensa e praticamente impediu qualquer visualização do treino. A expectativa era de que o treinador falasse a respeito da equipe, se estava satisfeito com o futebol apresentado em Cianorte, o que pretendia mudar e se Dagoberto estaria de volta contra a Adap, no jogo de ida das quartas-de-final do Estadual.

Puro engano. Enquanto os jornalistas esperavam na portaria, o alemão passou com seu possante importado em velocidade pela cancela e deixou todo mundo sem entender nada. Nem a assessoria de imprensa soube explicar o que aconteceu. Pior para um repórter italiano, que suspendeu as férias em Florianópolis para entrevistar um dos maiores ídolos do Inter de Milão, da Itália. Viajou quatro horas à toa. A imprensa nativa também. Os repórteres ficaram sabendo que aconteceu um trabalho físico. Nada mais.

Quem apareceu para falar foram os novos contratados do Atlético, mas nenhum deles poderá atuar no Estadual. "Gostei muito do que vi. Pessoalmente, me tratam muito bem e estou muito feliz de estar aqui e quero me preparar muito bem para poder estrear o mais rápido possível", disse o atacante colombiano Herrera, que vem do Al Ittihad, da Arábia e espera uma definição da Fifa para poder atuar. Quem também se mostrou empolgado foi o meia Válber, que estava no Moto Club, do Maranhão. "Chego para brigar por um espaço na equipe", destacou.

Para hoje, estão programados trabalhos em dois períodos no CT. Provavelmente, será realizado um treino técnico/tático no período da tarde. A imprensa não terá acesso e a única possibilidade de conversar com os jogadores é na entrada ou saída do centro de treinamentos. A diretoria não proibiu eles de pararem os carros para darem entrevistas, mas "sugeriu" que eles valorizem os horários abertos pelo clube para a imprensa.

"Atlético busca agora a quantidade"

Depois da qualidade, vem a quantidade, no Atlético. De acordo com o presidente João Augusto Fleury da Rocha, o elenco rubro-negro já está servido com bons jogadores, mas precisa de gente para reposição e é isso que a diretoria está buscando a partir de agora. A prioridade é um zagueiro, que pode vir do mercado europeu. Em entrevista o dirigente falou sobre as possibilidades de contratações e também comentou a "proibição" dos profissionais de imprensa de trabalharem dentro do CT do Caju.

Paraná-Online – O Atlético deve contratar mais um zagueiro?
Fleury – Nós estamos imaginando que o nosso grupo precisa de reforços, de mais jogadores em termos quantitativos porque a qualidade que nós buscávamos já foi alcançada. Nós temos, hoje, na zaga jogadores que estão em plenas condições físicas e técnicas. O que nos preocupa é que a quantidade não está à altura da qualidade. Vamos ter que reforçar esse setor trazendo mais jogadores e com isso mantermos o mesmo patamar de qualidade que temos.

Paraná-Online – Esse jogador pode vir de fora do país?
Fleury – A idéia é buscar qualidade. Se a qualidade estiver fora do país ela será buscada lá. Mas, para isso, seria necessário que nós aguardássemos o encerramento ou a definição dos principais campeonatos europeus onde estão os brasileiros com condição de retornar.

Paraná-Online – Por que a proibição da entrada dos jornalistas no CT do Caju?
Fleury – As políticas de comunicação estão baseadas em técnicas, métodos e sistemas, que obedecem a orientação dos profissionais dessa área. Vale dizer que a nossa filosofia é da transparência, da liberdade de imprensa, da democracia e do debate de idéias que está preservado. A forma como isso está sendo aplicado hoje decorre da orientação dos profissionais dessa área, que entendem que a melhor maneira de ordenar pensamentos é estabelecer uma disciplina de idéias.

Paraná-Online – Essa idéia é da diretoria ou do técnico Lothar Matthäus?
Fleury – Não partiu nem da diretoria nem do técnico. Essa é uma orientação que decorre de um sistema que nós decidimos pelo melhor funcionamento do centro de treinamento. A idéia é oferecer aos que lá trabalham melhores condições funcionais. A presença da imprensa não se constitui num óbice (impedimento, embaraço, empecilho, obstáculo, estorvo) para esse objetivo, mas ela deverá estar integrada a esta política.