De uma venda iminente à uma inesperada (quase) renovação de contrato, o atacante Rony vai mesmo deixar o Athletico. O jogador de 24 anos assina com o Palmeiras nos próximos dias, de acordo com o Blog da Nadja.

Mas por que a novela, cheia de impasses e reviravoltas, se arrastou por tanto tempo? E como Mario Celso Petraglia, presidente do Furacão, entrou na jogada?

No dia 5 de fevereiro, tudo indicava que Rony ficaria no Furacão. O que aconteceu?
A diretoria do Athletico subiu a oferta para estender o vínculo até dezembro de 2023 e agradou Rony — que teria o salário quase dobrado e receberia luvas de R$ 3,5 milhões. Realmente, estava tudo certo, faltando apenas a assinatura no papel. Mas o negócio desandou quando o empresário do atleta, Hércules Júnior, pediu uma comissão pelo acerto. A atitude irritou a diretoria atleticana, que passou a ignorar os contatos do agente naquele fim de semana. Depois, o próprio Hércules abriu mão da comissão pedida, mas o clube já havia decidido não ficar mais com o jogador.

Como o Palmeiras voltou para o negócio?
Foi o próprio Athletico quem procurou o Palmeiras. Isso aconteceu no fim de semana anterior à Supercopa do Brasil. Enquanto deixava o empresário de Rony sem resposta sobre a renovação, o clube paranaense entrou em contato com o time paulista, que estava em compasso de espera, para saber se ainda havia interesse. A proposta: 6 milhões de euros (cerca de R$ 28 milhões), parcelados em quatro vezes anuais, por 50% dos direitos econômicos do avante, além do abatimento da dívida total pelo empréstimo de Carlos Eduardo (R$ 1,2 milhão). Antes de acertar a situação com o Palmeiras, a diretoria rubro-negra ainda chegou a oferecer um novo acordo para Rony, com valores bastante inferiores. Isso aconteceu após o jogador atuar contra o Flamengo, em Brasília. A recusa foi o ponto final na relação.

Por que o acordo não foi fechado antes, então?
Um ponto ainda precisava ser fechado. O Athletico ainda necessitava do “sim” do empresário de Rony. E para isso, o clube chegou a um acordo com Hércules para o pagamento de 1,5 milhão de euros. Anteriormente, ele cobrava metade do valor que o clube receberia pela venda.

Qual foi o papel de Mario Celso Petraglia na negociação?
Inicialmente, o presidente atleticano não estava lidando diretamente no caso de Rony, já que ainda está afastado para cuidar de sua saúde. E sem Petraglia à frente, o acerto esteve próximo de ser fechado. Posteriormente,com o impasse, o dirigente tomou as rédeas da negociação para que a venda fosse concluída. Afinal, como o próprio Petraglia já admitiu, “só ele compra, vende e negocia” no Furacão.

E como fica o Corinthians nessa história?
O Timão foi o primeiro clube interessado em Rony. Aliás, era o favorito do jogador, que gostaria de trabalhar novamente com Tiago Nunes. A proposta corintiana, por ser à vista, agradava mais ao Athletico do que a do Palmeiras, parcelada em quatro vezes anuais. Porém, o Alvinegro nunca conseguiu todo o dinheiro para oficializar a oferta. Ou seja, perdeu o jogador para o principal rival.

Como fica a divisão dos direitos econômicos de Rony?
O Palmeiras terá 50%, enquanto Athletico fica com 35%. Os 15% restantes são do próprio jogador.

A questão judicial envolvendo Rony e seu ex-clube pode ser pesado na decisão do Athletico?
É possível que o clube tenha realizado a venda para se “proteger” de uma eventual revés na Fifa. No ano passado, o japonês Albirex Niigata, ex-clube do camisa 7, entrou com uma ação cobrando do Furacão e do próprio atleta 10 milhões de dólares referentes à multa de um contrato de três anos que o Albirex alega ter sido quebrado. A decisão sobre o caso está cada vez mais próxima. Não dá para descartar o peso desse imbróglio na ida de Rony ao Palmeiras.

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